CASAL DE MOTOCICLISTAS RESENDENSES SÃO OS PRIMEIROS DA CIDADE A CHEGAR A USHUAIA DE MOTO

Ushuaia é uma cidade da Argentina e capital da Província da Terra do Fogo. É conhecida como a cidade mais austral do mundo ou a cidade do Fim do Mundo. Está situada na parte argentina da Terra do Fogo, no extremo sul do continente americano, a 1.000 Km da Antártida e a 3.200 km ao sul de Buenos Aires. Essa localização estratégica permite a união de montanhas, geleiras, mar e florestas numa única região.
A pequena e pitoresca Ushuaia possui grandes atrativos, que podem ser conhecidos através de caminhadas pelas ruas da cidade. Na parte histórica, é possível conhecer um pouco do seu passado, visitando o Museu do Fim do Mundo ou e comprando artigos regionais. 
Na cidade mais austral do mundo, a paisagem é sempre fantástica. São picos de neves eternas, bosques floridos, glaciares, icebergs e ilhas habitadas por multidões de gaivotas, leões-marinhos e pingüins. E, apesar de estar separada fisicamente da Patagônia, ambas possuem em comum história e geografia.


As  "maiores" dificuldades para os motociclistas chegarem a Ushuaia, são: o vento fortíssimo e constante da Patagônia, chegando normalmente "algumas vezes",  na casa dos 120 kms por hora, escassez de combustível, pois são poucos os postos de serviço, ficando bastante distantes um do outro, em média "160 kms a 180 kms" por hora, muitas das vezes não tendo combustível ou a "Nafta",  como dizem os argentinos, as grandes distâncias sem auxílio algum, ou seja, você olha e só vê uma grande reta, alguma vegetação rasteira e mais nada, a mudança de clima repentinamente de calor para frio ou sol para chuva.
Vento, sol, calor, frio, poeira, chuva são uma constante neste roteiro e foi exatamente isto que nós presenciamos nos "12.786 kms" de nossa viagem.
No dia 28 de janeiro,  Eu (Sabadini) e Isabel do Filhos do Asfalto MC e o Júlio e a Suely Maciel do Tribo Puris MC, ambos de Resende, saímos em viagem.
Ao nosso pequeno grupo juntou-se um triciclista do Rio de Janeiro, o Manoel Sartori, pois seus  companheiros de viagem tinham desistido da mesma no dia anterior.Nosso primeiro destino foi a cidade de Itapetininga no estado de São Paulo, onde o Júlio ainda iria fazer um serviço e depois férias. De Itapetininga rumamos no dia seguinte para Capão Bonito, onde se inicia o Rastro da Serpente, que é um trecho de "260 kms" com mais de "800" curvas, cortando todo o estado do Paraná, terminando em Curitiba. Este desafio também estava dentro do nosso projeto e nós o cumprimos com maestria e tranquilidade.

Após esta etapa seguimos nossa viagem com destino ao ponto mais setentrional do nosso país, o Chuí onde entramos no Uruguai.
Dois detalhes: 1 - não façam  a Carta Verde no Chuí (Brasil) e nem no Chuy (Uruguay) pois os preços são muito caros. Se preciso for façam por apenas 3 dias e depois façam para o restante em Buenos Aires ou outra cidade do Interior da Argentina (foi o que fizemos)
2 – Se possível pernoitem em Santa Vitória do Palmar, não no Chuí, pois  os hotéis são caros e não tem boa estrutura para atendimento, alguns sem “”cocheira” (garagem) e sem desayuno (café da manhã), enfim se puderem não pernoitem no Chuí.

 No "Uruguay" visitamos as cidades de Maldonado e Punta Del Este, esta  limpíssima, muito bem cuidada, com suas praias e ruas magníficas, porém comida, bebidas e hotéis com preços salgadíssimos.


De lá seguimos para Rosário no Uruguay onde pernoitamos, de lá para  Colônia Del Sacramento, a cidade que é capital do Departamento de Colônia, fundada há 333 anos por Manuel Lobo, onde se localiza a fundação português cujo centro historico, é reconhecido pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. De lá partimos para Buenos Aires de Baquebus, através do Rio da Plata. De Buenos Aires com seu tango, El Caminito, Calle Florida, Casa Rosada, Plaza de Mayo, Obelisco, Puerto Madero, etc partimos para o descobrimento da famosa Ruta 3 que nos levaria ao nosso objetivo Ushuaia, a Tierra Del Fin Del Mundo.
A Ruta 3 tem início em Canuellas com um movimento intenso, bem pavimentada, com trechos ainda em obra, aliás a Argentina inteira está em obras, realmente fazendo juz aos Outt-doors instalados nas Rutas e cidades: “Aqui la Nacion Crece”
Rodando chegamos a cidade de Azul, uma simpática e bonita cidade do interior, onde fizemos nossa Carta Verde a um preço muito bom.
Saindo de Azul nossa próxima parada foi em Tres Arroyos, onde existem dois postos de serviço da YPF, estatal argentina "reponsável" pelo abastecimento de Nafta (gasolina), Diesel e Gás no país.

                                    
Já começávamos a visualizar o que seria a Patagônia, imensas retas sem nenhuma habitação.
De lá com o tanque cheio após ter permanecido uns 30 minutos na fila (ou cola) como se fala por lá, rumamos para Bahia Blanca, sempre rodando por imensas planícies com muitos guanacos em ambos os lados da ruta (pista). Passamos direto por Viedma e fomos dormir em Villalonga onde conhecemos o Marco um motociclista argentino muito solicito que nos levou aos únicos dois hotéis da cidade. Dormimos no Raices restaurante residencial.
No dia seguinte saímos cedo pois nosso objetivo era andar um longo trecho, mas fomos surpreendidos pelo ventinho da patagônia que já começava a dar as caras, rodamos 633 kms e fomos dormir em Trelew, uma simpática cidade de colonização galesa, onde fomos muito bem recebidos pelo Sr. Edgar no Hotel Rivadávia, muito simpático, aconchegante e com um ótimo preço.

Manhã seguinte, desayuno feito (café da manhã tomado), seguimos viagem, a partir dai a coisa começou a ficar difícil, com um vento violento a partir de Comodoro Rivadávia, seguimos até Fitz Roy, onde pernoitamos num hotel ao lado do posto de serviço da YPF, o único para abastecimento em 130 kms. Neste percurso com o vento beirando os 100 kms por hora, a Shadow gastou 1 litro a cada 13 kms.
Café da manhã tomado seguimos para Rio Gallegos após abastecer em Puerto San Julian e Cmte Luis Piedra Buena.
Um lembrete aos amigos entre Cmte Luis Piedra Buena e Rio Galalegos não há nenhum posto de abastecimento, apesar de constar no mapa, o que havia está fechado, descobrimos isso da pior maneira possível, tivemos que parar para abastecer por causa do vento que aumentou o consumo da moto. Ainda bem que estávamos levando combustível em dois galões (lá se fala bidon).


Dormimos em Rio Gallegos (há muitos hotéis na cidade, por isso é bom pesquisar), pois achamos um hotel muito bom a um preço acessível.
Ah, por falar nisso a média de preços para um casal na Argentina variou de $ 250 a 350 (isto em reais dá de R$ 100 a R$ 140), nada mais barato que isso.
De Rio Gallegos (fala-se Rio Gaggegos) até o terminal San Gregório onde iríamos atravessar o Estreito de Magalhães foi um passeio gostoso.
A balsa sai de hora em hora e custa $ 70,00 por moto(não se paga por passageiro,mas sim pela moto.


Do outro lado começa a aventura, depois de 24 kms passando por Cerro Sombrero em território chileno onde a gasolina custa R$ 4,74 o litro, (por isso recomenda-se carregar um bidon cheio de nafta argentino que na Patagônia custa  $ 4,698 pesos, o equivalente a R$ 2,46 começa o rípio, estendendo-se por 124 kms até o posto fronteiriço de San Sebastian.


Você deve estar preparado para este percurso pois são 4 aduanas, com um processo demorado, pois toda hora chegam ônibus lotados de turistas, carros e caminhões.
Após todos os trâmites, estávamos rodando para Rio Grande quando uma tempestade nos atingiu no meio do nada. Conclusão chegamos molhados em Rio Grande,  uma bonita  e grande cidade.

Hospedados no Hostel Rio Grande a $ 350,00 o casal com direito a desayuno mas sem cocheira passamos a noite nos aquecendo, secando a roupa para partir no dia seguinte direto para a Ushuaia.
Pela manhã tempo bom, seguimos nossa viagem,após algumas horas, paisagens incríveis, guanacos, raposas, coelhos, etc, chegamos a Toulhin que não tem nada a não ser o posto YPF, sem banheiro para uso dos clientes (péssimo atendimento), posto sem calçamento, cheio de buraco, barro, ou seja parar, abastecer(quando não falta nafta e ir embora),aliás na volta faltou combustível(ainda bem que o outro posto estava a apenas 76 kms).


Depois de Toulhin, a paisagem muda repentinamente, bosques incríveis, um imenso e azul lago fuegino (o Lago Fagnano).
No Paso Garibaldi, você pode ver toda a beleza desta região( bosques e o lindo lago Fagnano)>
Daí a Ushuaia foi um pulo, nem sentimos a estrada pois a ansiedade de chegar era muito grande. Próxima curva e surge o  portal de Ushuaia, imponente e lindo sob um céu com sol incrivelmente azul e lindo.
Parada a moto o grito de “Chegamos foi uníssono e alto”. Os policiais da Gendarmeria pareciam não estar entendo nada. Pulei, gritei, vibrei. Sonho almejado e alcançado. Agradeci a Deus e a N.Sra Aparecida com os olhos lacrimejados. Tinha chegado a Ushuaia, com todas as adversidades, vento, frio, chuva, calor, poeira, lama, rípio, pneu carecando, mas estava lá, isto  é que importava.


Feita as fotos tradicionais fomos procurar uma hospedagem, o que foi muito difícil, pois não sabíamos e chegamos lá no Carnaval, que não acontece na Argentina, mas é feriado, com um grande agravante, a cidade estava cheia de brasileiros, inclusive de nossa cidade, com os quais nos encontramos em um loja de souvenirs.


Conseguimos a um preço altíssimo um apart hotel por um dia. Com sorte e faro consegui um hostel para mais dois dias o tempo que pretendíamos ficar na cidade.
Com a situação resolvida fomos desvendar a cidade, tirar a famosa foto no porto, a do Fin Del Mundo e chegar a Lapataia o final da Ruta 3, de onde não se pode ir mais lugar nenhum.

 


Ushuaia encanta por ser a cidade mais Austral do mundo, com suas lojinhas aconchegantes e simpáticas, seus restaurantes e bares.
Para o turista não é vantagem fazer câmbio nas Casas de Câmbio oficiais pois pagam muito pouco pelo dólar ou real. O ideal é perguntar a um motorista de taxi, ou até fazer o câmbio com eles, pois,  pagam bem melhor. Eu dei sorte descobri um chinês o Luis,  do Hotel Argentina que fez câmbio a um bom preço, aliás muito simpático o chinês, que trata muito bem seus clientes.


Conhecemos o Lucas um motociclista argentino, que já morou no Brasil, mais precisamente na Bahia que nos levou de boa vontade ao Parque Nacional Tierra Del Fuego, entrada a $ 60,00 por pessoa,  onde está o final da Ruta 3.

 


Missão cumprida era hora de voltar a Rio Gallegos de onde partiríamos para El Calafate.


A volta foi triste, na noite anterior, caiu uma nevasca nas montanhas de Ushuaia que amanheceram cobertas de gelo. Na altura do Paso Garibaldi,  o frio e o vento eram insuportáveis, mesmo com luva térmica e segunda pele. Colocamos na realidade três peles, duas luvas, balaclavas, etc, e o vento e o frio cortante entrava por qualquer lugar e nos congelava. Em Toulhin, onde não havia combustível e nem banheiro, paramos para nos aquecer uma vez que o sistema de calefação do posto estava funcinando. Após alguns minutos, retomamos nossa viagem de novo até o  rípio desta vez sem chuva mas com vento e poeira, balsa, asfalto e finalmente Rio Gallegos, onde pernoitamos.

 


Dia seguinte trocamos o óleo das motos (um Litro de Óleo Motul custou $ 125,00 = R$ 50,00) muito caro,  onde o Chileno Luis da Lucho Motos foi extremamente atencioso e muito competente, nos atendendo com muito boa vontade o que não tinha acontecido no dia anterior na concessionária Yamaha, que não quis fazer a troca. (Muita má vontade, ao mesmo preço).

Óleo trocado partimos para El Calafate, uma bela e simpática cidade. Chegando lá  outro problema, cidade lotada de turistas por causa da Festa do Gelo. Com muita sorte e faro conseguimos uma Pousada muito simpática e a um super preço para a ocasião, a Hospedage Del Norte, que recomendo a todos,  da Sra.  Antônia e  sua filha Cláudia, com as quais estabelecemos em 3 dias uma grande amizade.
Na Hospedage podíamos fazer nossa própria comida, o café da manhã e a noite como estava frio fazíamos uma sopa, da qual um casal de japoneses,  o Yoshi e  Ariane ficaram fregueses.

“I like your soap”, dizia o Yoshi. No dia seguinte fomos visitar o Glaciar Perito Moreno a 80 kms de Calafate, ingresso a $ 70,00 e o passeio de barco $ 90,00 por pessoa.
 Sem palavras para descrever este lindo espetáculo da natureza, onde tivemos o privilégio de chegar de barco a menos de 300 metros do gigante gelado.
No mirante pudemos avaliar a extensão do glaciar, "14 kms" de extensão, "60 metros" de altura e "2,5 kms" de largura.


Realmente um espetáculo da natureza, quando tivemos a oportunidade de ver uma avalanche de neve, a poucos quilômetros de onde estávamos.
Hora de voltar pra casa, despedimos do pessoal da Hospedage com o coração apertado e a Sra Antônia até chorou. Voltaremos lá breve se Deus quiser.

 


Motos na estrada, pernoitamos em Rio Gallegos, dia seguinte com um vento violentíssimo, que até derrubou a moto do Júlio, quando paramos na estrada para abastecer com a "nafta" do galão, pois o posto (Parada Le Marchand está fechado). Fomos obrigados a dormir em Cmte Luis Piedra Buena devido ao vento que tornava impossível continuar a viagem e à tempestade que se aproximava. Sábia decisão, alguns minutos após estarmos no hotel, ao lado do posto o mundo desabou, choveu  e ventou tudo que podia. Uma hora depois o tempo abriu com um lindo sol, mas já estávamos alojados e já eram 7 horas da noite. Um lembrete, na Patagônia os dias são mais longos e as noites mais curtas, escurece as 8 horas mais ou menos.


Dia seguinte motos na estrada, dormimos  em Trelew novamente, onde o Sr Edgar nos mostrou um caminho melhor para volta passando  por San Antônio do Oeste,  Rio Colorado, Santa Rosa, onde um trecho da Ruta 35, está em estado bruto ou seja terra e pedra, Trenque Lauquen,  Cel Villegas, Rufino,  Venado Tuerdo, Rosário, sem entrar em Buenos Aires uma vez que pretendíamos passar por Posadas.


Em Rosário atravessamos a Puente N. Sra Del Rosário e saímos em Vitória de lá descemos ate Gualeguaychu onde pegamos a Ruta 14 indo direto a Posadas, que está com sua entrada toda em obras. De Posadas fomos a Encarnacion no Paraguay onde troquei o pneu da moto que tinha carecado completamente.Seguimos pela Ruta 12, para Puerto Iguazu onde ficamos por três dias para um descanso e rever Silvia, Mário e família, amigos argentinos que nos receberam bem demais como fala o mineiro.


Um dia para compras no Paraguay, onde o  Júlio aproveitou e trocou o pneu da moto (1/3 do valor no Brasil).


O triciclo que estava junto conosco,  deu problemas, rebocado para o Brasil, manhã na oficina, consertado,  seguimos viagem, tempestade em Maringá,  dormimos em Floresta no Paraná, dia seguinte  parada em Bofete e no outro dia as 16:30, estávamos entrando em Resende debaixo de chuva, mas com o sabor da missão cumprida e também pelo fato de sermos os primeiros motociclistas resendenses a chegar a Ushuaia de moto.


Foram 33 dias de muita adrenalina, otimismo, alegrias, preocupação, aduanas, chuva, vento, frio, sol, calor, poeira, gelo, mas chegamos felizes.

 

Veja tembém reportagem sobre a viagem em http://riosulnet.globo.com/web/conteudo/5_292414.asp