CATEGORIA CRIADA POR ALEXANDRE BARROS REVELA TALENTO DE JOVENS EM BRASÍLIA

22/08/2011 14:10

 Categoria criada por Alexandre Barros revela talento de jovens em Brasília 

 

Carlos Silva/CB/D.A Press  
Acima, Simon e Faustino aceleram no Nelson Piquet
Ser um celeiro de novos talentos é o principal objetivo do torneio de motociclismo Moto 1000 GP, encabeçado por Alexandre Barros e Gilson Scudeler, dois renomados ex-pilotos. E se o objetivo está em garimpar uma meninada, logo na primeira edição, a performance de dois jovens, um de 19 e outro de 21 anos, impressionou público e organizadores. Ainda que tenham bem menos tempo de experiência que a maioria dos adversários, Diego Faustino e João Victor Batista mostram que, na pista, a idade não compete: nas duas corridas da etapa de Brasília, dividiram curvas, retas e, o que é melhor, o pódio com os veteranos na modalidade.

Diferentes na categoria e no estado de origem, os dois jovens, porém, acumulam semelhanças. A começar pelo ídolo. Apesar de praticamente não terem visto Ayrton Senna correr, inspiram-se nele dentro e fora das pistas. “Ele é uma lição de vida. Admiro a sua sabedoria”, comenta o paranaense Faustino. O início da carreira também se confunde. Ambos começaram a pilotar com a influência dos pais que, mesmo não sendo pilotos profissionais, têm paixão pelas corridas. As mães, mais receosas, até hoje ficam apreensivas. “Ela sempre me manda correr devagar”, lembra João Batista, o mais novo entre 25 pilotos que competiram no fim de semana, no Autódromo Nelson Piquet.

Os jovens pilotos também somam títulos. O mais recente, conquistado por Diego Faustino, foi o vice-campeonato do circuito paranaense, enquanto João Batista tem no currículo o segundo lugar no Campeonato Brasileiro — além de ser representante de Mato Grosso na categoria. E, na etapa de Brasília, conquistaram a boa colocação. Nos dois dias de competições, realizadas sábado e domingo, o paranaense levou o terceiro lugar, enquanto Batista subiu ao pódio na segunda posição.

Ainda aprendendo a manusear a moto de mil cilindradas, os calouros juram que não se intimidam em disputar com adversários mais experientes, como Alan Douglas e Eduardo Costa. Ao contrário: aproveitam a oportunidade para adquirir mais experiência. “É um desafio extra. Eu faço a minha corrida e, por estar ao lado deles, exijo mais de mim”, comenta Batista. E deixa um recado: “Eles que devem ter medo. Estou treinando muito. Se não evoluírem, vão ficar para trás.”

Posição herdada
Na etapa de sábado, Diego Faustino terminou a corrida na quarta colocação, logo atrás de Luiz Cerciari. Irregularidades no combustível, porém, desclassificaram o terceiro colocado, e, por isso, a posição foi assumida pelo paranaense.

Acidente
O terceiro mais jovem do campeonato sofreu um acidente logo na primeira volta da corrida de ontem. Em uma curva mais fechada, João Simon, 22 anos, perdeu o controle da moto e foi arremessado contra os pneus de proteção. O rapaz teve de ser encaminhado para o Hospital de Base. Segundo Marcos Korukian, médico que fez os primeiros atendimentos no jovem, aparentemente não houve nenhuma fratura. O fato de desmaiar, segundo Korukian, é uma reação natural do cérebro em pancadas muito fortes. Por conta do acidente, a largada da categoria 1000 GP foi retomada somente após 1h30 de vistorias na pista.

Calouro, mas nada jovem
Carlos Silva/CB/D.A Press  
João Batista comemora sua ida ao pódio na categoria Light

Divertindo-se com a situação, o piloto mais experiente do campeonato, Remi Toscano, simula que está andando de bengala quando tem sua idade questionada. Mas nada de vergonha. Os 69 anos, inclusive, estão estampados no número da moto que pilota. Remi arriscou-se no mundo da motovelocidade há apenas três anos, e recusa ser chamado de veterano. “Eu posso ser o mais velho, mas ainda sou calouro aqui”, brinca, comemorando a sétima colocação na categoria Light. “Foi ótimo. Só vim para passear e me divertir.”

Vida regrada
Apesar de estarem no auge da adolescência, a rotina dos pilotos é bastante diferente quando comparada à dos demais jovens. Ainda sem patrocínio ou salário fixos, os dois dividem o dia a dia entre treinamentos e faculdade — e nada de festas. Pelo menos é o que eles juram: enquanto os amigos se divertem madrugada adentro, Faustino não se deita depois das 22h. “Ou é um hobbie ou se leva a sério. Fora a monografia, estou o tempo todo focado nas corridas”, conta.

Outra preocupação é com um bom condicionamento físico. Para isso, Faustino aproveitou os seis quilômetros de distância entre a casa e o trabalho para pedalar: vendeu o carro e comprou uma bicicleta. João Batista também buscar estar sempre em forma. Para isso, dedica-se às corridas e pedaladas todos os dias.

Vencedores da etapa de ontem

Categoria 1000 GP
1º – Luiz Cerciari
2º – Alan Douglas
3º – Diego Faustino

Categoria BMW
1º – Maico Teixeira
2º – Gian Calabrese
3º – Ricardo Kastropil

Categoria Light
1º – Eduardo Costa
2º – João Victor Batista
3º – Luís Fittipaldi
 

Fonte: Correio Brasiliense