CONFRARIA DAS MULHERES MOTOCICLISTAS - MADE IN BRASIL

13/12/2012 16:34

    Cercadas de preconceito ou não, a grande verdade é que as mulheres motociclistas estão tomando as pistas. Elas estão engrossando cada vez as estatísticas que apontam que 25% das motos comercializadas hoje no Brasil, já tem uma mulher como proprietária.

    Dentro deste  contexto, elas estão invadindo também as pistas de corrida. Prova disso, é a Confraria de Mulheres  Motociclistas (CMM),  fundada por Cris Noskoski,  46 anos, avó, gaúcha de Passo Fundo (RS), que vem ganhando cada vez mais espaço no mundo das duas rodas.

Confraria das Mulheres Motociclistas

Cris como é conhecida, iniciou suas atividades no mundo das motos , aos  39 anos, com uma Yamaha TDM 850. Com o passar do tempo se apaixonou pelas superesportivas e passou a incluí-las em  seus  sonhos.

Cris Noskoski

Cris Noskoski – Fundadora da CMM

A idéia de fundar a CMM,  teve   ínício  quando ganhou do marido uma  Kawaski  Ninja,não demorando para  se equipar toda, matricular-se em cursos de pilotagem, com o objetivo único  de aumentar a segurança sobre a motocicleta.

Cris Noskoski

Cris Noskoski


A partir daí,   veio a vontade de participar de corridas,  mas sabia que o marido não concordaria em vê-la disputando com os homens, surgindo assim a idéia de formar um grid feminino.

Juliana Maioli, Gabriela Bastos Campos, Luana de Farias, Cristina Noskoski e Regiane de Souza Rezende. Foto: Anisteu Faggion/Zuun, motorcycles

Este foi o estompim  para fundar a Confraria, que utiliza uma pimenta vermelha como símbolo e a frase “Vem comigo... que no caminho eu te explico!”, como lema e  que, graças aos contatos em redes sociais,  em pouco menos de 2 meses já eram seis integrantes, o total necessário para a primeira corrida.

Confraria das Mulheres Motociclistas
Consciente da importância da segurança nas pistas, Cris iniciou uma série de contatos conseguindo com as escolas de pilotagem cursos e treinos gratuito, para todas que quisessem participar de uma corrida, ainda sem data definida.
A primeira prova aconteceu na segunda quinzena de setembro, no GP Gaúcho de Motociclismo,   disputando  o Troféu Cristina Rosito,   uma homenagem à primeira mulher, a competir com motos no Brasil, em 1982. Rosito esteve presente ao autódromo de Santa Cruz do Sul (RS) e foi também a madrinha do Troféu.

Cristina RositoCristina Rosito

Cristina Rosito

Muitas delas só se conheceram no dia da prova, todas com camisetas da Confraria, adesivos e banners, compartilhando um box organizado e bem decorado.
Apesar da chuva que caiu no dia dos treinos e da prova, elas não desanimaram e fizeram seu batismo, sob as piores condições, dando um show de pilotagem.
A administradora hospitalar, Juliana Maioli, de Bento Gonçalvez (RS), que pilota uma Yamaha YZF R1, foi a vencedora na categoria 1000 e afirmou que Cris revelou-se uma grande vencedora, usando seu notável poder de persuasão conseguindo mobilizar algumas mulheres para esse pontapé inicial.
Juliana Maioli

Juliana Maioli


A paranaense Liz Cordova 33 anos, pilotando uma BMW S 1000 RR, acha que participar de um campeonato a torna mais forte, tanto na vida  profissional quanto na pessoal.

Liz Cordova

Liz Cordova


Luana de Farias, gaúcha de Passo Fundo, apenas 23 anos, vencedora da prova na classificação geral,  pilotando uma Hornet,  que iniciou sua experiência com uma Yamaha YBR 125, passando em seguida para uma Kasinski Comet GTR 250, também encontra no motociclismo forças para superar situações de extrema dificuldade.

Luana de Farias

Luana de Farias, comemorando

Outras do grid começaram bem mais cedo, como Márcia Reis, gaúcha de  Erechim  (RS), que teve sua primeira experiência ao 13 anos com uma Garelli.

Marcia Reis

Márcia Reis

Já Gabriela, mais conhecida por Gabi Racing, com 29 anos já passou mais de metade de sua vida sobre uma motocicleta, iniciando com uma Yamaha RD 350 (a “Viúva Negra”), sendo hoje proprietária de três motocicletas: Yamaha YZF R1 de 1000 cc, Yamaha ZRF R6 e Lander Motard, com as quais participa  em  apresentações com o grupo Racing Girls Show.

Gabi  Racing

Gabi Racing

    Mas enfim,  já era hora mesmo das pistas receberem o encanto, o  charme,a simpatia e a beleza destas mulheres, o que as coloca em um patamar de admiração e também de respeito pelo que fazem.

Mas, parece que as coisas não devem ficar somente nisso,  pois vemos mais e mais mulheres dominando as estradas e por conta disso, já existe em formação no centro oeste brasileiro,  mais um grupo denominado “Superbike com Batom”.
A Confraria de Mulheres Motociclistas,  já tem hoje 130 meninas cadastradas, sendo 98% delas pilotas de esportivas.

Confraria das Mulheres Motociclistas.
Dia a dia, várias “confreiras” estão tatuando pimentas vermelhas pelo corpo. Com a sua já devidamente gravada no tornozelo, Cris Noskoski se diverte: “Somos como pimenta, não é todo mundo que agüenta.”.

 

Fontes: Quatro Rodas – Moto – texto  de Marcelo Bretas  / Facebook – Confraria da Mulheres Motociclistas /  Facebook – Cris Noskoski / Sabadini Motociclista  e Canal da Moto (Arquivos).