ENGANANDO A SI MESMO

29/09/2014 23:47

iaí galera, belê???

Sou um ser humano comum, não sou dono da verdade, não sei de tudo e não sou perfeito, só tento errar pouco na vida e estou dizendo isso porque gostaria de um bocadinho do tempo de vocês, para falar-lhes sobre uma das mudanças de valores da vida…motociclística, no caso!
Obviamente que o assunto é extenso e tenho consciência que não escrevo de forma correta e exemplar, além de ser adepto à criação de palavras e expressões, assim como fazia Magri.
Para comentar todas as mudanças que o meio motociclístico sofreu nos últimos anos, seria necessário apelar ao meu amigo Marcão Martins, para escrever um livro, tamanha quantidade, algumas notórias, outras nem tanto, depende do tempo em que você faz parte ou tem conhecimento deste estilo de vida…
Ultimamente, em alguns palcos e mesmo em algumas entrevistas, “reclamei”,  em tom de alerta, sobre a total falta de educação nas “recepções” de alguns eventos que tenho frequentado, seja visitando para confraternizar, “locutando” ou organizando, onde acho que o nome deveria ser alterado para “decepções”, de tão absurdamente mal recebidos e “decepcionados” que são os irmãos motociclistas e os visitantes, nos casos de festas abertas ao público em geral.
Quando há cobrança então? Nem se fala… a linha de frente do grupo anfitrião sequer dirige um olá, um bom dia, uma boa tarde ou uma boa noite, sequer pergunta como foi a viagem, se tranquila, se a estrada estava boa, se estava chovendo, quanto tempo demorou, de onde o viajante veio, se vai acampar ou hospedar-se, se precisa de uma ajuda qualquer, alguma indicação, enfim… ao invés disso, já vão logo perguntando:

“Se trouxe os déiz real aí pá nóis irmão?”

É de chorar sentado na calçada… e quando você chega, ido de longe, cansado, sujo e empoeirado, clamando por um bom banho e a retirada de toda a indumentária de motociclista, com a carteira e os demais pertences embrulhados em sacos plásticos e guardados nos bolsos mais fundos das calças, jaquetas ou coletes, tendo passado por chuva ou temendo chuva ao sair, de saco cheio de tirar e por o dinheiro dos bolsos, em caso de estradas pedagiadas, aí fala pro irmão “decepcionista”:

 “Pô meu irmão, seguinte, vou estacionar ali na frente, procuro o dinheiro e já volto aqui para te pagar…” 

Preciso registrar aqui os comentários covardes, feitos pelas costas e em tons sarcásticos e de deboche, dirigidos a nós, já nos afastando da “decepção” do evento, rumo adentro? Acho que não!   

Mas, na verdade, o comentário que quero fazer hoje, é sobre o fato de que, sabidamente, as facilidades e mordomias tecnológicas, eletrônicas e internéticas, estão afastando, em todos os âmbitos, o ser humano do convívio fraterno, próximo, olho no olho, pessoal, ao vivo e em cores, coisas de ser humano mesmo, que se tivesse sido criado para viver sozinho, existiria numa torre de babel individual, onde cada um falaria um idioma diferente, sem entendimento mesmo, ou haveria um sexo só… sei lá, com certeza o Criador teria providenciado uma existência diferente dessa que conhecemos e somos…

Essa distância humana, provocada por esses aparelhos viciantes, já foi, está sendo e ainda será palco de muitas discussões por parte de psicólogos renomados, já que interfere diretamente no convívio familiar, na educação, no trabalho, no esporte e no lazer e, obviamente, nós, motociclistas, irmãos de estrada,  fraternos, próximos, atenciosos, prestativos e etc., etc., etc., estamos sofrendo também essas consequências, há meu ver, de várias formas, como por exemplo, as maneiras que são feitas as divulgações dos eventos atualmente.

Explicando:

Marca-se a data do evento e, após várias discussões e ideias, cria-se a arte, bonita, com todas as informações necessárias e mais algumas ainda… aquela poluição visual danada… com a intenção de atrair o “irmão” para a arapuca da “decepção”, em que são cobrados aqueles “déiz real”, aí chega à vez de contratar uma gráfica, esperar alguns dias e, de posse daquele calhamaço de papel colorido, que não ficou lá muito barato, acessar o notebook e colocar o cartaz impresso na internet…

Como assim, não entenderam?

É só isso, os caras saem da gráfica com um montão de papel impresso e pesado no colo e, ao chegarem em casa ou no trabalho, simplesmente copiam ou aproveitam a própria arte e enchem as redes sociais com seus convites…

Mas isso está errado mesmo?

E os cinco mil cartazes, flyers e panfletos que foram feitos?

Essa é fácil:

São distribuídos entre os integrantes e estes, quando chegam a um evento, preferencialmente os mais “pertinhos”, vão logo colocando montes deles nos balcões dos expositores, nas mesas das inscrições e/ou venda de camisetas, vão colocando nos tanques, bancos e painéis de todas as motocicletas estacionadas, sem nenhum critério, sem nem mesmo atentar ao fato da motocicleta ostentar algum adesivo de MC/MG, possuir algum equipamento indicando ser o proprietário um motociclista estradeiro, verificar se a aplaca é de outra cidade, ou seja, detalhes reveladores, que farão com que a propaganda não seja desperdiçada, além do quê, existe o fator sereno da madrugada, que os desmancha.

Já repararam que, em muitos eventos, a quantidade de papel impresso colorido e visualmente poluído, que não ficou lá tão barato e jogado ao chão é realmente impressionante? Ô dó!!!

Será que os integrantes pensam, agindo assim, em livrar-se logo daquele fardo de papel pesado e tomar umas cervejas e curtir rock and roll, achando que a propaganda que os locutores de eventos irão fazer, que muitos nem escutam ou prestam atenção já serão suficientes?

Onde está o contato humano, o convite propriamente dito, feito de forma correta, fazendo o irmão que está sendo convidado prestar atenção no que está sendo dito a ele, não no papelzinho que será dobrado, guardado e esquecido depois?

Onde está o poder da persuasão e das palavras de convencimento, o prazer em falar que você faz questão da presença do irmão, olhando no olho dele, convocando-o a comparecer num evento em que ele será bem recebido, pura e simplesmente para confraternizar e dar aquele abraço em quem estará festando, entregando o convite na mão dele e avisando-o que o endereço está ali, naquele papel visualmente poluído, para ser verificado depois?  

Além disso, alguns motoclubes/motogrupos acham que podem simplesmente se dar ao luxo de sentar-se em frente ao notebook e digitar lá um “convitinho meia boca” e soltá-lo nas redes sociais, achando-se o tal, que a festa nem precisará de outra forma de divulgação, que será um tremendo sucesso de público, que irão cinco mil pessoas lá no evento, pois atualmente, todos estão “conectados”… Será mesmo?

E quando chega o grande dia, dessas cinco mil pessoas, quantas será que serão irmãos motociclistas, convidados de verdade, se é que a maioria dos convidados serão mesmo motociclistas?

Então qualquer um pode entrar?

Será que esses pseudos “convidadores” não veem que a frequência que realmente importa é a qualitativa, não a quantitativa?

Será que o fator humano, a proximidade e a fraternidade realmente não contam mais?

Duvido muito, pois não somos nós, seres humanos, que existimos para conviver próximos, em sociedade, em grupo, principalmente nós, irmãos motociclistas?

Ok, concordo que as redes sociais estão aí para esta serventia também, mas…

Em vários eventos que frequento, percebo que a maioria esmagadora dos convidados são motociclistas “coletados”, viajantes mesmo, que estão ali chegados de várias localidades porque foram convidados da forma correta, pura e simplesmente para confraternizar e retribuir o convite feito pessoalmente, fazendo com que a festa fique lindamente colorida, com vários brasões representando a irmandade, enchendo de orgulho os anfitriões.

Saibam que não estou atacando diretamente ninguém nem tampouco nenhum MC/MG, pois, quando acho pertinentes ou importantes e tenho abertura para tal, faço minhas humildíssimas críticas construtivas diretamente ao(s) interessado(s), e muitos já sabem disso.

Finalizando, digo com certeza que está faltando o verdadeiro senso de motociclismo e motoclubismo a muitos que estão por aí, que se esquecem de pequenos, mas importantíssimos detalhes que não estão escritos em nenhum manual de comportamento, mas que fazem muita diferença, no final das contas.

Digo com certeza que os que se esquecem desses pequenos, mas importantíssimos detalhes estão cada vez mais fora da realidade e nem mesmo se lembram de quando foi a última vez que trocaram o pneu dianteiro da motocicleta.

Digo com certeza que o sucesso de um evento e a característica de reunir uma grande quantidade de irmãos de estrada, não se faz atrás de um computador, não se conquista de forma eletrônica, nem tampouco com inércia e sem saber se o asfalto é cinza ou preto ou qual o significado das faixas indicativas no solo das estradas, nas linhas paralelas ou simples, contínuas ou pontilhadas, brancas, amarelas ou vermelhas.

É isso.