HONDA XL 700V TRANSALP - MAIS DETALHES

15/08/2011 12:52

HONDA XL 700V TRANSALP


Para quem gosta de motos de forte caráter aventureiro, o momento é de festa. A Honda acaba de lançar a XL 700V Transalp, um modelo conhecido mundialmente por sua resistência mecânica e robustez.
Apresentada em 1987 na Europa, o modelo já passou por três gerações, sendo equipada inicalmente com motores de 600 cm³, passando para 650 cm³ em 2000, e chegando a atual versão, cujo motor tem 680 cm³.
A "dívida" da Honda para com o consumidor deste tipo de motocicleta é antiga, desde de 1988, quando a Yamaha introduziu no Brasil a linha XT — com a XT 600Z Ténéré — dominando o segmento por mais de 20 anos.
Mas essa hegemonia, que foi quebrada inicialmente em 2010, pela BMW G 650 GS, parece ter realmente chegado ao fim. Nem bem chegou, e a Honda XL 700V Transalp já é cotada para assumir a categoria Big Trail, algo fácil de acontecer, já que atributos para isso parecem não lhe faltar.


ATRIBUTOS DE UM SUCESSO
Uma das maiores vantagens da recém chegada Transalp sobre a concorrência está no conforto e na ótima posição de pilotagem. Ela tem um amplo e ergonômico banco que oferece um ótimo encaixe para o piloto, que tem a sensação de "vestíla". Além disso, tanto a largura quando a altura e posicionamento do guidão, permitem que tantos pilotos de menor estatura quanto os mais altos, acomodem os braços de forma relaxada. As pedaleiras — o terceiro ponto de apoio do condutor na moto — também possibilita que os pés fiquem repousados sem que para isso as pernas fiquem demasiadamente dobradas.
Ainda que pequena, a bolha em acrílico transparente é capaz de oferecer ao piloto, uma razoável proteção contra a ação do vento, sendo mais um dos fatores determinantes para que a Transalp seja uma motocicleta confortável de se viajar. Para completar o pacote, ainda há um útil e bonito bagageiro, protetores de mãos e um painel completo e legível. Em uma motocicleta cujo principal propósito é ter boa desenvoltura em viagens — incluindo aquelas longas e por caminhos ruins —, estes itens que colaboram para o conforto são fundamentais.
Existem outros detalhes, além do conforto, que contribuem para que a nova maxi trail da Honda seja um sucesso mundo a fora e justifique o fato de ser produzida a 24 anos; O motor é, sem dúvida, um deles.
Silencioso, o V2 com 680 cm³ tem um comando simples e quatro válvulas para cada um dos dois cilindros inclinados a 52o. Seu arrefecimento é líquido, com dois radiadores dispostos um de cada lado da moto, o que garante a temperatura ideal do motor mesmo em lugares onde a temperatura é mais alta.
Ao rodar em vias onde a velocidade é baixa — e consequentemente a rotação —, tanto o nível de ruídos quanto o de vibrações, são baixos. Em faixas de média para altas rotações, a coisa muda um pouco de figura. O ronco fica bem mais aparente e grave, instigando uma pilotagem mais esportiva. Nessa situação, as vibrações são claramente perceptíveis, nada incomum em um motor bicilíndrico em "V", nem fortes o suficiente a ponto de incomodar quem conduz a motocicleta.
Um passeio com a Transalp revela que seu temperamento é calmo, com entregas de potência bem menos explosivas que modelos como a Yamaha XT 660R ou mesmo a BMW F 650 GS. Na prática isso a torna uma motocicleta mais fácil de pilotar, sobretudo no uso urbano.
Nas estradas, a nova maxi trail da Honda mostra seus dotes. Isso porque nessa condição de uso, é que o motor oferece o seu melhor, possibilitando ultrapassagens vigorosas e velocidades elevadas, com o painel chegando a indicar 190 km/h.
Segundo a Honda, sua potência máxima é de 60 cv a 7.750 rpm, e o torque, de 6,12 kgf.m a 6.000 rpm, valores razoáveis e suficientes para empurrar com disposição os 205 kg a seco do modelo, principalmente em longas viagens com garupa e bagagem.


APESAR DO TAMANHO...
Da mesma forma que motocicletas grandes e encorpadas são atraentes, elas também assutam muitos candidatos a proprietários, principalmente se eles tiverem baixa estatura. É comum ver motociclistas que admiram os modelos Maxi-trail e tudo de que elas são capazes de fazer, se lamentando não ter altura para pilotá-las. No caso da Transalp, além da altura do banco não ser assutadoramente grande ( 841 mm), o formato de seu banco e as suspensões macias, facilitam a vida dos condutores mais baixos. Ela é inclusive fácil de manobrar, e, apesar de aparentemente ser volumosa, se sai melhor que o esperado em situações críticas como transito pesado, típicas da hora do rush dos grandes centros urbanos.
Engana-se quem imagina que, em virtude do aspecto volumoso, a Transalp seja uma motocicleta ruim em curvas, tanto em médias quanto em altas velocidades. Graças a sua boa ciclística, em ambas as circunstâncias o modelo demonstra firmeza e equilíbrio nas trajetórias a ponto de permitir pequenos abusos e garantir uma pilotagem divertida. O fato de seu aro dianteiro ter 19 polegadas de diâmetro ajuda — e bastante — nas mudanças bruscas de direção, tornando-a mais rápida e ágil.
Como a ciclística, o grande poder de frenagem também surpreende, tanto na versão standart, quanto na ABS (cotada a R$ 34.800), dotada de sistema anti-travamento das rodas — muito útil em situações onde haja baixa aderência do solo — que também conta com sistema de freio combinado, onde é possível acionar simultaneamente o freio traseiro e parte do dianteiro através do pedal do freio traseiro. Em ambas as versões, o sistema dianteiro é dotado de duplo freio a disco, sendo a versão Standart equipada com duas pinças de dois pistões cada, e a ABS, com pinças de três pistões.


MAIS ON DO QUE OFF
Nas auto-estradas — território em que o modelo se sai melhor — onde as retas são longas e as velocidades de condução bem maiores que no uso urbano, a Transalp também se mostra firme, sem sinais de "
shimmy" (instabilidade na dianteira, onde o guidão chacoalha) como ocorre na XT 660R em torno dos 130, 140 km/h.
Apesar de seu estilo aventureiro e on-off road, as incursões no fora de estrada são limitadas na XL 700V Transalp. Vias com pavimento ruim ou de terra, ela encara sem maiores problemas, já percursos acidentados, com obstáculos como erosões, pedras soltas ou lama, a nova maxi trail logo dá sinais de limitação. Tudo por conta de seu peso generoso, suspensões macias demais e dos pneus Bridgestone Trail Wing, cujo desenho é mais on do que off-road. Essa limitação fica evidente diante de uma pequena distância em relação ao solo de 17,7 mm e pela utilização de plásticos rígidos e pintados nas laterais dos tanques, que quebram e riscam com facilidade.
Mesmo assim, a Transalp pode ser considerada uma máquina destinada a aventuras. Isso porque em seus 24 anos de produção, ela ganhou a fama de ser uma motocicleta de grande resistência mecânica e robustez comprovada no conjunto quadro e suspensões, encorajando muitos aventureiros a utilizá-la em viagens transcontinentais. A prova da inspiração da Honda no espírito aventura pode ser notada nas abas que envolvem parte do tanque e carenagem. Nelas há até uma inscrição com as coordenadas do Col de La Bonette, localizada na parte sul dos Alpes Franceses. Ela é considerada a via pavimentada mais elevada do planeta. Numa moto como a Transalp, feita para viajar, nada poderia ser mais sugestivo.