MOTOCICLISTA QUER ENTRAR PARA O GUINESS AO CRUZAR AS AMÉRICAS DE MOTO

18/05/2011 22:07

 Motociclista quer entrar para o Guiness ao cruzar as Américas de moto


Rio de Janeiro, 14 mai (Lusa) -- Cruzar o continente americano do sul da Patagónia ao Alasca sempre foi o sonho do brasileiro Augusto Lins e Silva, 69 anos, que promete entrar para o Guiness Book com o recorde mundial de motociclismo de longa distância.

 

 

 

 

 

O pernambucano a partir de 14 de maio data da partida,  rodar 55 mil quilómetros do Rio à capital do Alasca, a cidade de Anchorage, passando por 17 países a bordo da "BR Multimarcas", a sua moto de 700 de cilindrada adaptada exclusivamente para esta viagem.

Para comprovar a aventura, o brasileiro instalou um dispositivo GPS na moto para ser acompanhado em tempo real.

A aventura começa hoje, no marco zero da Rodovia Presidente Dutra, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo.

"Depois que me aposentei só viajo de moto. Já rodei tanto que não tinha mais para onde ir, aí pensei em ir a um lugar que nunca fui, o Alasca. Conheço o Brasil todo de moto, do Chuí ao Oiapoque, todas as Guianas, Peru, Bolívia. As estradas da América do Sul ando sem mapa, conheço de cabeça", disse à Lusa o aventureiro que vai completar 70 anos durante a viagem.

"Vai ser a maior comemoração da minha vida. Na altura, eu devo estar no Canadá. Não há hipóteses de não bater o recorde, até porque não existe. Eu quero estabelecer o recorde de motociclismo", garantiu.

Percorrer as três Américas já era um sonho antigo. Sem financiamento ou patrocínio e apenas com o apoio da família, Augusto Silva levou seis meses para preparar a viagem.

O aventureiro estima gastar no total 16 mil dólares para percorrer 850 quilómetros por dia e consumir cerca de três mil litros de gasolina.

A rotina ao longo de seis meses será de perseverança: pôr o pé na estrada assim que o dia clarear e só parar na cidade mais próxima ao entardecer quando consumir o terceiro tanque de combustível.

"O ritmo é esse, muito acelerado. A minha viagem é sacrificada, não sou rico, não é uma viagem folgada. Toda noite vou ligar para a minha esposa", promete.

Mas o que lhe seduz para o motociclismo é o espírito de ir rumo ao desconhecido. "É a imprevisibilidade da moto, a gente não sabe nem o que vai encontrar pela frente, essa é a essência do motociclismo", admite.

O motociclista começou aos 15 anos com a sua primeira lambreta, depois tornou-se advogado e trabalhava como administrador de empresas. "Só tinha tempo para andar de moto aos fins-de-semana".

Augusto Silva troca de moto todos os anos pois bate a marca de 90 mil quilómetros percorridos. "Andar 55 mil quilómetros para o Alasca é pouco, eu vou rodar menos do que eu ando anualmente".

Pai de quatro filhos e avô de cinco netos, sempre assumiu o perfil de aventureiro da família e já perdeu a conta de quantas motos já teve.

Casado há 15 anos com Débora Lins e Silva, 48 anos, todos os fins-de-semana o casal viaja junto para algum lugar do Brasil.

"Ela tem disposição para viagem, é uma pessoa corajosa e boa companheira. Foi ela quem cuidou da organização e logística da minha viagem e da mala também", contou.

A aventura do pernambucano inclui uma parada na Dakota do Sul, nos Estados Unidos, no maior encontro de motociclistas do mundo. Lá, será homenageado por ser o primeiro sul-americano a chegar na sua própria moto desde o local de origem.

Nas suas aventuras figura ainda a travessia do deserto do Atacama, feita oito vezes. A última foi há seis meses quando levou a sua esposa de férias.