MUNDIAL DE MOTOCICLISMO DE LUTO

23/10/2011 21:52

 

Uma semana depois da morte do britânico Dan Wheldon, numa corrida de IndyCar, o desporto motorizado volta a ser ensombrado por mais um acidente trágico. Desta vez, a vítima mortal foi o piloto italiano do MotoGP Marco Simoncelli, no Grande Prémio da Malásia, em Sepang, por ironia do destino o mesmo traçado onde, em 2008, se sagrara campeão Mundial na classe de 250 cc. Dois jovens que perderam prematuramente a vida em circunstâncias que fazem levantar, pela enésima vez, a questão da segurança (ou da falta dela).

No caso de Wheldon, as famosas pistas ovais foram o palco da tragédia. Pistas essas que não oferecem qualquer segurança aos pilotos. Na trágica corrida de Las Vegas foram 15 os carros acidentados. Morreu uma pessoa, mas até podia ter sido pior... Naquele tipo de circuito, e à velocidade habitual dos carros – Wheldon circulava a mais de 300 km/hora -, um qualquer toque entre dois carros é como se de um rastilho se tratasse, uma vez que é muito difícil fugir ao choque. Portanto, a única arma dos pilotos será carros que ofereçam segurança, o que, já se percebeu, não é o caso.

Nas motos, a situação dos pilotos ainda é mais frágil, porque existe menos proteção aos seus corpos, em caso de queda. Os fatos amortecem em caso de quedas pequenas, mas quando a situação é mais grave, de pouco ou nada valem.

A queda de Marco Simoncelli no GP Malásia seria idêntica a tantas outras sem consequências de maior, só que o italiano teve o azar de ser arrastado para o meio da pista, onde circulavam os outros pilotos. Colin Edwards vinha logo atrás e era-lhe impossível evitar o contacto. E acabou por abalroar Simoncelli, que ainda foi tocado pela moto do compatriota e grande amigo Valentino Rossi.

O acidente foi arrepiante – a imagem de Rossi a tentar controlar a moto sem ir ao chão enquanto olhava para trás, onde Simoncelli estava imobilizada na pista de Sepang é marcante -, o choque brutal, mas há uma questão que requer respostas: como é que o capacete, supostamente a diferença entre a vida e morte, e que portanto deveria ser praticamente inexpugnável – se é que se pode falar nesses termos em motociclismo –, saiu da cabeça do piloto italiano? “Quando o capacete sai da cabeça, não é bom sinal”, comentou, a propósito, o australiano Casey Stoner, já virtual campeão do Mundo de MotoGP.

O diretor da corrida na Malásia, Paul Butler, garantiu que todas as consequências e circunstâncias que envolveram o acidente irão ser alvo de uma profunda investigação. Esse é um passo importante, como é óbvio, mas insuficiente. Aliás, os próprios responsáveis pelas provas motorizadas já reconheceram que é preciso fazer mais no capítulo da segurança.

Mundial de motociclismo de luto

Simoncelli cumpria o segundo ano na classe rainha, depois de se ter sagrado campeão mundial de 250cc em 2008.Um acidente dramático tirou a vida a Marco Simoncelli em pleno Grande Prémio da Malásia. O jovem de 24 anos despistou-se à segunda volta da corrida de MotoGP e foi colidir contra dois concorrentes, tendo perdido o capacete na colisão.

 


O piloto Marco Simoncelli não resistiu aos ferimentos e morreu neste domingo
Foto: AP

O mundo do esporte italiano chora neste domingo a morte do piloto Marco Simoncelli, que se envolveu em um grave acidente logo na segunda volta do Grande Prêmio da Malásia de MotoGP, e não resistiu aos ferimentos que sofreu.

O jovem piloto, de 24 anos, da equipe Honda Gresini, perdeu o controle da moto e caiu em uma curva. Outros dois pilotos, Colin Edwards e Valentino Rossi, que vinham logo atrás, não conseguiram desviar e acabaram o atropelando Simoncelli.

A Federação Motociclista Italiana cancelou todas as atividades que aconteceriam no circuito de Mugello, e várias equipes que entraram em campo pelo Campeonato Italiano fizeram um minuto de silêncio em homenagem póstuma a Simocelli.

O piloto era torcedor do Milan, que expressou seu mais profundo sentimento de pêsame após tomar conhecimento da fatalidade. Os jogadores milanistas atuaram contra o Lecce com uma faixa preta no braço significando luto.

Após conhecer a morte de Simoncelli, Marco Melandri, ex-piloto italiano de motos, publicou em sua página do Twitter: "boa viagem, as palavras não explicarão jamais o sofrimento".

Amigos e seguidores de Simoncelli, no entanto, foram até Coriano, onde vive a família do piloto, para expressar sua proximidade e solidariedade à família.

A mãe de Simoncelli e a irmã, de 12 anos, ficaram em casa, cercada de policiais, para garantir a intimidade nos momentos de dor. "Não sei o que dizer de um dia assim. Só sei que sentiremos saudades. Descanse em paz, Marco", escreveu neste domingo o piloto espanhol Jorge Lorenzo em seu Twitter.

O piloto espanhol Dani Pedrosa disse, depois da morte de Simoncelli, que "às vezes" se esquecem do quanto é "perigoso este esporte". "Quando acontece algo assim, não há nada o que dizer. Todo o resto não importa", comentou o piloto da Honda. Pedrosa explicou que soube da gravidade da queda quando viu o pai de Simoncelli.

A fabricante japonesa Yamaha, assim como a italiana Ducati, se uniram pelo sofrimento da morte do piloto. "A Yamaha envia suas condolências mais sentidas e profundas à família, amigos e colegas de Marco Simoncelli, depois do trágico acidente que ocorreu no Grande Prêmio da Malásia", afirmou em nota publicada pela imprensa.

"Marco era um concorrente digno e futura estrela da MotoGP. Sentiremos saudades, ele será profundamente recordado por todos", acrescentou o comunicado. A equipe oficial de Ducati, da qual faziam parte o americano Nicky Hayden e o italiano Valentino Rossi, que também esteve envolvido no fatal acidente de seu compatriota e amigo Marco Simoncelli, emitiu um comunicado em Sepang se unindo à dor da perda do piloto "Sempre lembraremos de Marco por seu sorriso, seu entusiasmo, seu grande coração e as incríveis emoções que experimentou nos últimos anos. Ele era um de nós", conclui a nota de Ducati.

A ministra italiana da Juventude, Giorgio Meloni, também expressou sua tristeza, e caracterizou Simocelli como um exemplo de "educação e paixão esportiva". "Estou profundamente chateada pela morte de Marco Simoncelli, um jovem campeão que tanto nas pistas como na vida jamais renunciou ao sorriso. Para muitos jovens italianos foi um exemplo de correção e paixão esportiva", afirmou a ministra à imprensa local.

O líder do Partido Democrata, Pierluigi Bersani, disse que a morte de Simoncelli "deixa todos atônitos", e que é "um insulto à juventude e à coragem".