PAI MOTOCICLISTA É REFERÊNCIA PARA FILHOS ATÉ NA PAIXÃO POR DUAS RODAS

09/03/2013 01:36

 

Hobby de Robson Silva 'contaminou' toda a família.

Apesar da fama de 'doidão' entre amigos dos filhos, servidor é pai prudente.

Robson 'contaminou' toda a família com a paixão pelas motos (Foto: Raquel Freitas/G1)

Joyce, William (esq.), Jonathan (centro) com o pai Robson da Silva (dir.) (Foto: Raquel Freitas/G1)

Robson Conceição da Silva, de 54 anos, é exemplo para os filhos William, de 25, Joyce, de 23, e Jonathas, de 14, até mesmo quando o assunto é motociclismo. Na maioria do tempo, o servidor público e educador físico é um pai convencional, mas, nas noites de sextas-feiras, troca a rotina do trabalho em um hospital de Belo Horizonte pelos encontros do motoclube “Garrotes do Asfalto”. O hobby, que vem desde a juventude, tornou-se motivo de união na casa da família Silva. “Contaminei todo mundo”, diz Robson sobre a paixão pelas duas rodas.

Convidado por um colega de trabalho, passou a fazer parte do motoclube em 1999. Primeiro, começou a frequentar os encontros com a mulher, Rosimary Gonçalves Ribeiro Silva, de 48 anos. “Ela foi animando, eu animei também e fui chamando os meninos. Eles gostaram e, desde então, não pararam mais”, revela Robson> 

Nestes 13 anos como integrante do grupo, Robson percorreu muitos quilômetros para participar de encontros de motociclistas e sempre fez questão da companhia dos filhos. “Não conseguiria estar em um lugar sem eles”, afirma. Por isso, algumas vezes preferia trocar as duas rodas pelas quatro rodas – e seguir viagem de carro ou de ônibus – só para poder levar toda a família. Para a universitária Joyce, o hobby do pai é um estímulo para aproximação. “É um programa que todo mundo gosta”.

Todos os filhos se renderam à paixão do pai, mas, no caso do mais velho, William, o encantamento pelas motocicletas influenciou até mesmo na hora da escolha da profissão. “Desde pequenininho, eu acompanhava meu pai. Então, a paixão por moto, mecânica, motor foi despertando”, diz o estudante de engenharia mecânica.
 

                                                                                                Família Silva reunida durante passeio em 2008 (Foto: Arquivo Pessoal)

Família Silva reunida durante passeio em 2008
(Foto: Arquivo Pessoal)

O caçula Jonathan, que cursa o 9º ano, ainda está longe de prestar vestibular, mas já dá sinais de que a paixão pelos roncos dos motores e pelas cilindradas também vai contar na hora da escolha do curso. “Quero fazer engenharia mecatrônica”, enfatiza. O gosto pelas motocicletas é tanto, que, aos 14 anos, o mais novo da família Silva já fala em transmitir esse hobby aos futuros netos de Robson.

William, Joyce e Jonathan contam que ter um pai motociclista, fora dos padrões, chama a atenção dos amigos. Eles revelam ter ouvido muitas vezes comentários de colegas, como “seu pai é doidão”, “olha o tamanho da moto dele”.

Apesar da fama entre os amigos dos filhos, Robson é um pai prudente. O único que tem a autorização dele para pilotar é William. E para poder deixar a garupa, assumir a direção de uma moto e completar o brasão do motoclube, o estudante precisou vencer etapas estipuladas pelo pai. Somente depois de um ano de experiência no volante, pôde tirar a habitação para moto.

                                "Na verdade, a paixão mesmo é isso aqui, é estar junto”, diz pai apaixonado por motocicletas (Foto: Raquel Freitas/ G1)

Robson da Silva é abraçado pelos filhos (Foto: Raquel Freitas/ G1)

Debaixo do colete de couro preto, Robson esconde a fórmula para a boa relação com os filhos: liberdade, democracia, amizade, humildade e disciplina. Além de regerem a família do motociclista, muitos desses valores são compartilhados pelos integrantes do “Garrotes do Asfalto”. “Os meus filhos aprenderam também a seguir as regras do motoclube como uma forma de filosofia de vida”. Segundo Robson, ao contrário do que muitos pensam, o ambiente do grupo que frequenta se assemelha bastante ao familiar. Como exemplo, ele cita a valorização das pessoas pelo que são e não pelo que têm. “O motoclube não tem nenhuma distinção de tipo de moto, entra lá a que der para você rodar. Aliás, é uma coisa que eu acho interessante nesse motoclube. Lá não tem um mínimo de cilindrada. O importante não é a moto que você tem, é a pessoa que você é”, explica.
Para a mulher de Robson, o marido está longe de ser um “pai doidão”. “Eu admiro tudo nele. É um pai presente, amigo dos meninos. Mas na hora que precisa, também puxa a orelha. É um ótimo pai”, afirma Rosimary. Para os filhos, o companheirismo, o gosto por novidade e a vontade de manter todos sempre juntos são motivos de admiração.

Diante de tantos elogios, Robson troca a pose de motociclista por lágrimas discretas. “É interessante ouvir a opinião deles, nunca tinha tido essa oportunidade. É até emocionante, porque eu amo a minha família. Na verdade, a paixão mesmo é isso aqui, é estar junto”, revela emocionado.