PAIXÃO POR MOTOS CHEGA À TERCEIRA GERAÇÃO DE FAMÍLIA

09/03/2013 01:39

 

Paixão por motos chega à terceira geração de família

História dos motociclistas Carvalho começou na década de 1940.
Avô, pai e neto já tiveram 70 motocicletas no decorrer dos tempos.

Tudo teve início na década de 1940 quando Lair de Carvalho Bueno começou a andar de moto em São Paulo; 72 anos depois, seu neto, Reinaldo de Carvalho Bueno Júnior, estudante de mecânica de 19 anos, segue o mesmo caminho, abrindo a terceira geração de motociclistas da família. Já falecido, o avô teve 32 motos durante sua vida, marca que foi superada por seu filho, que possuiu 35 motocicletas, das quais mantém duas atualmente. Com as três do neto, a família já somou 70 motos no decorrer dos tempos.

Carvalho e seu filho Júnior, andando de moto (Foto: Arquivo pessoal)

Carvalho e seu filho Júnior, andando de moto, quando o garoto tinha 17 anos (Foto: Arquivo pessoal)

“Com 11 anos meu pai me levava na garupa de sua Lambretta. Motociclismo é um bichinho que vai no sangue e [a gente] não consegue largar”, explica o pai de Júnior, Reinaldo de Carvalho Bueno, de 55 anos, advogado e presidente da Federação de Motoclubes do Estado de São Paulo.

O contato de Carvalho com as motos começou cedo, influenciado pelo pai, e o anseio de andar sobre duas rodas o fez buscar uma solução antes de poder sair para as ruas.

“Meu irmão empurrava a moto desligada, comigo em cima dela, dentro de casa”, conta Carvalho. Após ganhar a maioridade, a moto definitivamente passou a fazer parte de sua rotina. “Depois de tirar a habilitação, ia de São Paulo a Mogi das Cruzes de moto para fazer a faculdade quase todos dias”, acrescenta o advogado. A paixão por motos fez com que fundasse a federação e entrasse para o motoclube Falcões Raça Liberta, de Guarulhos (SP).

Chegando à terceira geração
As primeiras histórias dessa família de motociclistas revelam uma realidade bem mais dura do que a atual para quem anda de moto. “Naquela época tudo era diferente, as estradas não eram asfaltadas e se furasse um pneu você tinha que desmontá-lo e encher de capim para continuar rodando”, relembra Carvalho das histórias que seu pai contava.

“No começo, nem habilitação era preciso. Meu pai tirou sua primeira Carteira Nacional de Habilitação em 1947, quando tinha 20 anos, mas já andava antes. Se estivesse vivo, ficaria orgulhoso de ver o Júnior com as motos”, acrescenta. Com regras mais exigentes, o neto de Lair só começou a andar nas ruas depois dos 18 anos. “Logo tirei a habilitação e comprei uma moto”, diz Júnior. “Desde pequeno tinha muita vontade de andar e ajudava meu pai a mexer nas motos dele.”

                                            Júnior com 10 anos e sua máquina para o motovelocidade (Foto: Arquivo pessoal)

Júnior com 10 anos e sua máquina para o motovelocidade (Foto: Arquivo pessoal)

Quando criança, Júnior chegou a competir em provas de motovelocidade na categoria “cinquentinha”, como relata o pai: “Quando ele ainda usava fraldas ficava do meu lado ajudando a consertar as motos, depois passou a andar de minimoto e foi para as pistas com 10 anos. Correu com o Eric Granado (principal piloto de motovelocidade do Brasil, que hoje está no mundial)”, diz Carvalho orgulhoso.

Com a CNH na mão, Júnior abandonou as pistas e passou a ser companheiro do pai nas estradas. “Estar com meu filho na estrada é um orgulho do caramba, não tem como descrever. É como ver um espelho de sua vida”, se emociona o advogado.

Preocupação com a segurança
Além de incentivar o filho a andar de moto, Carvalho sempre teve grande preocupação com a segurança de Júnior. “Ele participou de três cursos de pilotagem que promovemos com a federação. O acidente não é só um infortúnio, geralmente é precedido de uma infração de trânsito do motociclista ou do motorista”, enfatiza o advogado.

                                    Carvalho e Júnior (Foto: Arquivo pessoal)

Carvalho e Júnior, quando o garoto tinha 10 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Com pouca vivência no trânsito, Júnior escuta atento aos conselhos do pai e observa como ele conduz a moto. “A experiência de andar com o pai é muito bacana. Consigo aprender muita coisa com tudo que ele já viveu”, explica Júnior. Representante da 3ª geração de motociclistas da família, Júnior não descarta que a saga sobre motos continue se tiver um filho. “Ele é que vai escolher, mas vai ser muito legal poder andar de moto com meu filho”, finaliza.