QUAL GASOLINA USAR?

10/09/2012 16:20

 

Amigos

Em 2008 fiz uma pesquisa sobre gasolinas e escrevi um artigo para o Jornal No Mundo das Motos, de Brasília. Esse artigo estava disponível no site do jornal, mas recentemente fui dar uma conferida e não está mais disponível. Nessa pesquisa teórica, o objetivo era entender e explicar a teoria da gasolina, pois naquela época (e até hoje) vemos muitas lendas sobre o assunto.
 
Enquanto não acho o artigo (virtual ou em papel) pra republicar na internet, lá vai o resumo:
 
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No Brasil estão disponíveis 3 tipos de gasolina: COMUM, ADITIVADA e PREMIUM. Foram pesquisadas informações técnicas sobre as gasolinas da Petrobrás, Ipiranga, Texaco e Shell, no site dessas empresas.
 
A gasolina tipo COMUM é TODA fornecida pela Petrobrás, para as outras marcas. Já vai com 20% de álcool anidro (sem água) misturado. Recentemente o governo autorizou aumentar pra 25% essa taxa de álcool (tentativa de evitar aumento de preço da gasolina). Esta gasolina tem 87 octanas (não é a mais fraca do mundo, tem piores). Ou seja, teoricamente a gasolina comum da Petrobrás, Ipiranga, Shell e outras marcas é a mesma.
 
A gasolina tipo ADITIVADA é chamada assim porque tem um aditivo limpador, cuja função é justamente LIMPAR o sistema de alimentação (carburador, injeção, mangueiras, tubos, válvulas, velas, etc). Cada marca tem sua “fórmula secreta”. A Texaco (saiu do Brasil) e a Shell, em sua fórmula secreta, adicionaram um segundo aditivo redutor de atrito, e assim chamam as suas de “SUPER-aditivada”. Esta gasolina também tem 87 octanas. Na teoria, as aditivadas devem deixar o sistema limpo e as superaditivadas devem ocasionar economia de combústivel além da limpeza.
 
A gasolina tipo PREMIUM é chamada assim porque é mais forte, tem 92 octanas. A Petrobrás quis inovar e lançou a Pódium com 95 octanas (que também não é a mais forte do mundo, tem melhores). Em termos de aditivos, elas podem ter o limpador, o redutor de atrito, ou os dois juntos. Depende de cada marca. Na pesquisa, as gasolinas premium da Petrobrás, Ipiranga, Shell e Texaco continham os dois aditivos. Na teoria, as premium servem para motores mais potentes, motos e carros importados com taxa de compressão alta (acima de 10:1, o que não é o caso das motos custom).
 
Conclusões do artigo:
- Preferir a super-aditivada ou aditivada sempre, deixar a comum só para  emergência, e a pódium é desperdício de dinheiro se seu motor não é adequado pra ela.
- Caso use sempre comum, e vá passar pra aditivada, vá aos poucos, pois o limpador vai soltar as cracas e isso poderá entupir o sistema (fato visto várias vezes com motos de amigos e até desconhecidos que parei pra ajudar).
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Até fazer esta pesquisa teórica, eu não sabia destas diferenças e controlava o consumo da forma comum: marcava a quantidade de litros e a quantidade de quilometros rodados, em cada abastecimento.
 
Depois deste artigo, fiquei mais curioso ainda pra testar a teoria. Comecei a anotar também qual a gasolina utilizada (fabricante, tipo), e a forma de pilotagem (cidade, estrada, baixo-giro, alto-giro). Foram monitorados aproximadamente 65mil km com uma M800 e já são 43mil Km com uma M1500. Aproximadamente 400 abastecimentos registrados.
 
O estudo da M800 já terminou, publiquei no BOG (clube dos boulevardeiros). A gasolina que melhor deu resultado com ela bateu com a teoria: Texaco Super-Aditivada, que agora não existe mais. Em segundo a Shell Super-Aditivada (Vpower). A Pódium amargou o último lugar, também batendo com a teoria (o motor da M800 não rende com a gasolina “forte”, pois a taxa de compressão é abaixo do limite para a Pódium).
 
O estudo da M1500 está em andamento, e como a Texaco sumiu, a Shell Vpower está na liderança, com a Ipiranga Aditivada em segundo. A Pódium  também não desceu bem nesta moto.
 
 
Algumas lendas:
- A Pódium é menos batizada: lorota. Quem batiza, batiza qualquer uma!  Os caras   não tem escrúpulos!
 
- A aditivada forma borra: todas formam!  A “garantia” das gasolinas é de 60 dias, exceto a Pódium que diz que dura  seis  meses. Se  formou borra com moto rodando, em poucos dias do abastecimento, a coisa que colocaram no seu tanque não era gasolina e sim solvente!
 
- Não usar aditivada porque tem chumbo: mentira!  O chumbo na gasolina foi banido do Brasil já tem mais de 20 anos. Quem diz isso hoje, parou no tempo!
 
- Não usar aditivada porque entope o catalisador: a causa seria a presença de chumbo, que sim, detona o catalisador. Mas como isso não existe mais, quem fala isso está repetindo a lenda anterior (chumbo na gasolina) e não sabe o que está falando.
 
- Se acabar a gasolina na estrada vou ser assaltado, vão me roubar até as cuecas: história da carochinha. Por causa deste estudo, eu evito misturar gasolinas e uso o tanque até o máximo possível (por isso tenho mais de 20 panes secas no currículo). Já parei em cada biboca esquisita que nem te conto. E sempre fui ajudado, sem nenhum problema.
 
 
Finalizando:
- Cada um tem direito de acreditar em quem quiser, e no que quiser. Mas duvide sempre! Principalmente se alguém falar que a gasolina tem chumbo ou estraga o catalisador. ehehe
 
- Cada um tem direito de colocar o que quiser na sua moto. Mas pesquise ANTES!

- Na dúvida, faça o acompanhamento conforme a metodologia que pratico, e veja qual gasolina “combina” melhor com sua moto. Registrar as informações é rápido, não dói nada, e vai te ajudar a conhecer melhor a sua moto!

 

Texto: Extraido de El Bando de Flávio Bressan.