TESTE BRP ROADSTER CAN AM SPYDER RS

16/10/2014 15:35

TESTE BRP ROADSTER CAN AM SPYDER RS

Esse é o nome técnico do veículo que pilotei nos meses de maio, junho e julho deste ano, a título de test drive, convidado pela própria BRP - Bombardier Recreational Products Inc.


 

O nome é comprido, porém, ele é conhecido popularmente como Spyder, nome mais “curto” e pelo qual eu o mencionarei na reportagem.

Como se trata de um test drive, não vou me ater às informações técnicas, cheias de números e siglas, pois já existe amplo material disponível no mercado para os mais interessados nestas informações, mas sim às impressões e informações que mais importam, para os mais leigos como eu.

Curiosamente, a concepção em “Y” do Spyder faz com que a própria BRP o chame de “roadster”, e não de triciclo, como também é popularmente conhecido.

No primeiro contato, a pequena aula inicial sobre a utilização, localização e uso dos comandos parece complicada, por conta dos botões que existem há mais e comandos há menos, porém, asseguro-lhes que rapidamente se “pega o jeito” e vai ficando cada vez mais fácil acostumar-se.

Antes de rodar a primeira vez a bordo de um Spyder, é preciso cuidado e cautela, pois a pilotagem é totalmente diferente de uma motocicleta ou de um triciclo convencional, com motor de automóvel instalado na parte traseira. É necessário fazer um pequeno “curso mental” para rodar os primeiros metros e quilômetros com segurança e ir acostumando-se com os comandos, com a rápida aceleração e comportamento dinâmico, para ganhar gradativa confiança na tocada e não ser surpreendido com a potência disponível.

Dotado de um motor 4 tempos Rotax V-Twin 60°, 2 cilindros, 8 válvulas, 998 cilindradas, comando duplo no cabeçote (DOHC), refrigeração líquida e potência máxima de 106cv, a aceleração assemelha-se à de uma motocicleta esportiva, com “direito” a ser ejetado do banco, se não o fizer com cautela. Para um veículo que pesa 317 kg a seco, o torque disponível é fantástico, transmitindo total segurança nas ultrapassagens, retomadas de velocidade e na hora da diversão.

A transmissão final é feita por correia dentada, que não "perde torque" e ainda é reforçada com carbono, o que a torna muito durável e, como poderão observar nas fotos, a polia traseira é quase do mesmo diâmetro da roda, itens que contribuem para o elevado torque disponível.

O modelo que testei, um Spyder RS 2011 SE5, possui câmbio sequencial semi automático de 5 velocidades e marcha a ré, não há pedal nem manete de embreagem, a troca de marchas é efetuada através de uma borboleta localizada abaixo da manopla esquerda do guidão e o sistema é dos melhores, pois a troca de marchas é impressionantemente rápida e sem trancos.

Viajando com o Spyder.

Foram 6.080 kms rodados a bordo do Spyder RS e o relato que farei a seguir, será basicamente sobre as minhas impressões gerais ao pilotá-lo, juntamente com algumas informações técnicas, que tentarei passar de forma mais clara possível, para um bom entendimento.

Boa leitura!

O primeiro passeio foi curto, mais uma ambientação e integração para com o Spyder, já que, seguindo pela Rodovia Anhanguera, fui até Araras-SP, visitar os amigos Wagão (Sinistro MC) e Tony (Sem Donos MC), que aniversariavam e depois retornei para São Paulo.

Dias depois, na segunda vez que o utilizei, aí sim a diversão estaria garantida, pois saí de São Paulo com destino à Ilha de Guriri, em São Mateus, no Espírito Santo.

Como passaria muitos dias viajando, fiz uma “bela” mochila, que coube tranquilamente no amplo porta malas dianteiro do Spyder RS, com capacidade para 44L e 16 kg de carga máxima. Além da minha mochila, ainda acomodei no porta malas minha corda, fiel companheira em longas viagens, meu próprio kit de ferramentas, além do kit que já vem de fábrica e fica acomodado também no porta malas, um outro par de botas, minha capa de chuva, uma nécessaire com tamanho considerável e os agasalhos e balaclava, que ia tirando ou pondo, conforme a temperatura determinava – tudo dentro do porta malas!

Depois de acomodar a bagagem e calibrar os pneus – é extremamente necessário verificar a pressão dos pneus antes de viajar, pois a calibragem correta determina e muito a eficiência do conjunto, tanto na estabilidade na tocada quanto nas frenagens, lá fui eu, ganhar o asfalto.

Já nos primeiros quilômetros rodados pela Rodovia Presidente Dutra (BR 116), notei a firmeza na dirigibilidade e a robustez na construção do Spyder, pois ele realmente transmite a nítida sensação de vigor e firmeza, sem barulhos de peças soltas, frágeis ou deformáveis, sobrando apenas o som do vento e do escapamento tipo 2 x 1, que convida realmente a seguir estrada!

Primeira parada em Jacareí, para encontrar meu amigo e parceiro de viagem “Beição”, integrante do Vikings MC, que me acompanharia no trajeto até o ES, a bordo de uma Yamaha Fazer 250cc.

 

Fizemos um pequeno briefing, combinamos a média de velocidade entre 110 e 120 km/h e também o itinerário e seguimos pela BR 116, até uma pequena parada, bem no início da descida da Serra das Araras-RJ. Depois disso, seguimos direto até a Linha Vermelha-RJ, de onde faríamos o próximo desvio.

Já durante este pequeno trajeto, pude perceber que o Spyder “abre” o trânsito à sua frente, pois diversas vezes fui “favorecido” pelos motoristas que seguiam à frente, que me concediam espaço para ultrapassá-los, pela pura curiosidade de ver o que “era aquilo”.

Ponto para o Spyder!

 

É impressionante o efeito que ele causa nas pessoas, todos olham, sem exceção, motoristas de automóveis, vans de excursão, ônibus, caminhões, outros motociclistas, garupas e pedestres, além dos vários nomes pelos quais o chamam, cujo, o que mais se aproximou foi "Jet Ski de Rodas!!!"

 

Da Linha Vermelha, seguimos pela BR 116/040 - Rodovia Washington Luiz, até o entroncamento com a BR 116/493, em direção à Magé-RJ, no início chamada Rodovia Rio-Magé e depois Rodovia Santos Dumont; continuamos o caminho por ela até o enorme trevo de acesso à Magé-RJ, onde seguimos em frente, pela BR 116 - Rodovia Rio-Teresópolis, Rio-Terê, como é mais conhecida, até uma parada em Guapimirim-RJ.

 

Há essa altura do passeio, já havíamos feito algumas paradas para abastecimento e meu amigo “Beição” já havia lubrificado a corrente da Fazer 250cc algumas vezes, como deve mesmo ser feito. Como eu já relatei, o Spyder tem sistema de correia dentada, o que proporciona sobra de tempo e mais “folga” nas paradas, sem exercícios de agachamento nem engraxamento de mãos...

Ponto para o Spyder!

Após esta parada, seguimos em direção ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos-RJ, ainda na BR 116, para subir a Serra dos Órgãos-RJ, um caminho realmente muito bonito, com várias curvas fechadas, que definitivamente obrigam a desacelerar e passear pelo trecho, apreciando as lindas paisagens, as copas das velhas e enormes árvores cobrindo a estrada, as montanhas que “choram”, ver o “Dedo de Deus” bem de pertinho e etc. É um passeio imperdível, com visual impressionante e as paradas nos mirantes ao longo da subida para contemplar e fotografar o cenário, são obrigatórias.Depois desse show da natureza, passamos por Teresópolis-RJ e começamos a descer, ainda pela BR 116, até chegarmos à BR 492/RJ 130 - Rodovia Dr. Rogério Moura Estevão, conhecida como Estrada Friburgo-Teresópolis.

 

Após chegarmos ao final da BR 492/RJ 130, seguimos pela RJ 116 – Rodovia Presidente João Goulart, passando por Nova Friburgo-RJ e seguindo até o entroncamento com a RJ 142 - Av. Manoel Carneiro de Menezes, rumo à Lumiar-RJ.

Após uma parada em Lumiar-RJ, continuamos pela RJ 142 até a cidade de Casemiro de Abreu-RJ, já à beira da BR 101, onde seguimos até Macaé-RJ. 

Desde a nossa saída da Linha Vermelha, utilizamos caminhos alternativos e tortuosos, trafegando por estradas secundárias e vicinais, com várias subidas e descidas de montanha, que nos proporcionaram visuais incríveis, nos fazendo realmente sentir prazer em viajar.

Só para terem uma ideia, alguns quilômetros antes da cidade de Lumiar-RJ, a RJ 142 é ladeada pelo extenso Rio Macaé e segue assim até quase chegarmos à Casemiro de Abreu-RJ.

 

O comportamento do Spyder RS durante estes caminhos tortuosos foi exemplar!

Durante alguns trechos de serra, que conheço bem, pois já passei por lá várias vezes, avisei ao companheiro “Beição” que colocaria “a faca entre os dentes” e experimentaria o Spyder RS de verdade, exigindo o máximo dele em curvas, para conhecer o comportamento do veículo, tanto quanto à estabilidade e seus limites de aderência, quanto à utilização severa do sistema de freios.

Além do conceito de construção em “Y”, que favorece em muito a distribuição de peso, que fica concentrado do centro para frente, o Spyder RS ainda conta com sistema de direção dinâmica assistida (DPS) – que alivia o esforço imprimido no guidão e com sistema de suspensões dianteiras em “A”, com barras estabilizadoras e amortecedores a óleo ajustáveis na pré-carga, com 144 mm de curso e que trabalham quase na horizontal, assim como nos carros de Fórmula 1, fazendo com que as rodas não desgrudem do chão.

 

A suspensão traseira é composta por um enorme braço oscilante com monoamortecedor, também com funcionamento a óleo e ajustável na pré-carga, com 145 mm de curso, que também mantém o largo pneu traseiro o tempo todo “agarrado” ao chão.

Todo o sistema de suspensões é visualmente robusto, o que inspira confiança e vai tornando-se uma realidade na prática.

Os 3 pneus são do tipo especial, para motocicletas, com medidas 165/65 R14 na dianteira e 225/50 R15 na traseira.

Quanto aos freios, o sistema hidráulico é totalmente integrado nas 3 rodas, acionados por um pedal, localizado ao lado direito do Spyder RS, como numa motocicleta, com ABS e EBD ativos o tempo todo, não se pode desligar nada, pois acredito que, fazendo isso, as frenagens seriam desequilibradas e o consumo de pastilhas de freio seria desigual, por exemplo.

Os discos dianteiros e o traseiro medem consideráveis 250 mm x 6 mm cada, mordidos por 4 pistões na dianteira e pistão simples na traseira, e dão conta do recado tranquilamente.

Tudo isso combinado e com toda a tecnologia do Spyder a meu favor, fiz o que disse que faria e me atrevi bastante nas descidas de montanhas no trecho RJ, acelerei cada vez mais e fui freando cada vez mais “dentro” das curvas, a fim de testar os limites de aderência e os freios do Spyder. Após vários quilômetros de ousadia nas curvas, até mesmo compensando a inclinação do veículo com a inclinação contrária do meu corpo, como num quadriciclo, não consegui fazê-lo derrapar, nem a frente nem a traseira, como era esperado que acontecesse primeiro. Tudo bem que o Spyder conta com o VSS (Vehicle Stability System), um sistema que estabiliza e corrige a trajetória após um erro qualquer de um piloto “inexperiente”, mas não é o meu caso e quando eu digo que exagerei, é porque eu exagerei mesmo, não errando, mas abusando no teste e nem mesmo uma pequena “cantada” de pneus eu ouvi!

A estabilidade do Spyder RS e a capacidade de frenagem – sem fadiga, me impressionaram realmente!

Ponto para o Spyder!

Após pernoitarmos em Macaé-RJ, seguimos viagem no dia seguinte pela BR 101, rumo à Serra-ES.

Saímos de Macaé-RJ em companhia dos motociclistas Ailton (Macaé MC), Aracati (Macaé MC) e Manoel (Irmandade Motociclista MC) e da motociclista Sônia (Macaé MC) e, em meio à arrumação para a viagem, a única garupa que nos acompanharia – Poliana (Macaé MC), sugeriu ir comigo, já que o banco da carona do Spyder RS parecia bem mais confortável do que o diminuto banco da carona da HD V-Road do marido Ailton.

Sugestão aceita, pequena aula básica dada sobre como ela deveria comportar-se nas curvas e onde segurar-se corretamente e lá fomos nós!

Nos primeiros quilômetros, a minha garupa – Poliana, reclamou um pouco, já que o balanço diferenciado no rodar do Spyder causa mesmo uma estranheza inicial, porém, quase 400 km depois, ao chegarmos à Serra-ES, a mesma garupa que reclamara no início da viagem, já se sentia bem à vontade para fotografar e conversar durante o trajeto, tamanha segurança, espaço e conforto da garupa do Spyder RS. Mesmo com duas pessoas e bagagem total, o veículo comporta-se muito bem, alterando pouco a tocada.

Ponto para o Spyder!

Na mesma tarde, resolvi seguir sozinho ao destino final da viagem, a Ilha de Guriri, em São Mateus-ES, pois meus amigos decidiram pernoitar em Serra-ES e eu havia assumido um compromisso com os amigos do Motoclube Águias do Norte, já naquela noite.

Sozinho, seguindo pela BR 101, com trânsito livre e retas imensas à minha frente, formando enormes tobogãs que permitiam enxergar ao longe, estava na hora de acelerar um pouco mais e experimentar o Spyder RS e descobrir seu comportamento em velocidades maiores.

Rodei até Guriri-ES com médias elevadas, nada demais para o vigoroso e elástico motorzão, cuja faixa vermelha de giros começa aos 9.500 giros e, nas médias que mantive, os giros ficaram entre 6.000 e 7.000, em 5ª marcha.

Numa das ultrapassagens que fiz, passei por um treminhão e continuei acelerando, até atingir uma velocidade bem elevada e mantive assim por alguns quilômetros e, em seguida, baixei para a média permitida na estrada, comprovando o excelente e exemplar comportamento do Spyder RS, sem oscilações ou sustos.

Ponto para ele!

Como saí de Serra-ES por volta das 16h, trafeguei boa parte do caminho à noite, o que serviu para testar os ótimos faróis baixos, que iluminam muito bem, sendo desnecessário o uso dos faróis altos, que são realmente bem altos e de longo alcance. Ainda de longe, ao lampejar os faróis altos aos veículos à frente, pedindo passagem, eu era prontamente atendido, tamanha eficiência.

 

Já devidamente instalado em Guriri-ES, turismo para lá, turismo para cá e, enquanto aguardava a chegada dos companheiros, fui convidado à participar de uma matéria ao vivo num jornal televisivo local, onde eu e o Spyder RS participamos do “pano de fundo” para a apresentação de uma banda de rock and roll, também ao vivo.

Os dias de estada em Guriri-ES haviam sido muito legais, mas era hora do meu amigo “Beição” e eu começarmos o caminho de volta, pois os outros companheiros já haviam retornado à Macaé-RJ no dia anterior.

Como nós não tínhamos a menor pressa em voltar, já que meu parceiro estava em férias, fizemos uma parada de alguns dias em Serra-ES, para visitar o grande amigo – Dudu, integrante do Falcões MC Raça Liberta e sua família. Na ida, havia prometido ao companheiro “Beição” que faríamos turismo pela região, e assim foi feito, começando por Serra-ES mesmo, com visita à orla da cidade e almoço no Shopping Mestre Álvaro.

Depois, acompanhados pelo amigo Pretti, também integrante do Falcões MC Raça Liberta, que juntou-se à nós três, atravessamos a 3ª Ponte e, já em Vitória-ES, fomos ao Convento da Penha, à Enseada do Sua, às Paneleiras, à Ilha das Caieiras, ao Morro da Fonte Grande – dentro do parque com o mesmo nome, onde estão instaladas as antenas de transmissão da cidade, ao Sambódromo, à Estação Pedro Nolasco - antiga Vitória à Minas, onde funciona o Museu Ferroviário da Vale do Rio Doce e ao Horto Mercado - antiga rede de abastecimento Cobal.

Após alguns dias passeando em Serra-ES e Vitória-ES, seguimos com destino à Macaé-RJ, porém, aproveitamos a informação contida numa placa turística e fomos conhecer a Gruta Maria Drumond, que fica numa cidadezinha à beira da BR 101 chamada Rio Novo do Sul, ainda no ES. Porém, ao chegarmos lá, demos com as grossas e empoeiradas correntes e cadeados na cara.

O local pareceu mesmo abandonado, já que o mato estava alto e não constava nem ao menos uma única placa informando sobre os dias e horários para visita à tal gruta. Logo após a frustração, seguimos em frente, parando para fotografar paisagens e trechos legais, como a formação chamada Pedra do Frade e da Freira e etc...

 

 

Ao chegarmos à Macaé-RJ, ficamos por lá alguns dias, explorando a Região Serrana da cidade, pouco conhecida, já que a maioria dos visitantes atém-se à orla e seus badalados pontos de encontro.

 

Saímos de Macaé-RJ ainda cedo, pela RJ 168, atravessamos a BR 101, continuamos pela RJ 168, passamos pelo Rio Macaé e seguimos até o entroncamento com a RJ 162, onde viramos à direita e seguimos em frente, passando pelas cidadezinhas de Córrego do Ouro-RJ, Trapiche-RJ, Óleo-RJ e Glicério-RJ, até chegar à Frade-RJ.

Na volta, almoçamos em Glicério-RJ, onde encontramos o amigo Celinho, integrante do Bacurau do Asfalto Motoclube. Anualmente, naquela pequena cidade, acontece uma competição internacional de canoagem. O local é bem bacana, vale a pena conhecer e banhar-se nas corredeiras geladas.

No final de semana, ainda curtimos o 32º aniversário do Motoclube de Macaé, realizado na Associação Atlética Banco do Brasil, na Praia Campista, orla da cidade. No dia seguinte, fomos muito bem recebidos na sede do Pererecas do Asfalto MC, já á caminho de Búzios-RJ, onde degustamos um belo churrasco, oferecido pelo Motoclube de Búzios.

Era hora de arrumar as malas e preparar a volta pra casa.

Depois de subirmos a Serra das Araras-RJ, demos uma parada na Casa do Fritz, para meu amigo “Beição” lubrificar a corrente da moto mais uma vez e prosseguirmos, rumo à “Paulicéia Desvairada”.

 

 

Ainda no RJ, seguindo pela Dutra, pegamos chuva categoria torrencial e era o que faltava acontecer, para que eu pudesse finalizar a viagem teste com “chave de ouro”, pois a estabilidade do Spyder RS em pisos escorregadios ainda não havia sido comprovada.

 

Fui ousando na velocidade para constatar que o comportamento do Spyder RS no piso molhado, assemelha-se em muito ao dos automóveis, quando aquaplana levemente no início da poça d’água, “puxando” um pouquinho para a esquerda ou para a direita, conforme o tamanho e profundidade da poça, e logo em seguida mantém-se firme na trajetória.

Numa determinada curva, ainda debaixo de chuva, finalmente a traseira do Spyder RS desgarrou-se, parecendo que queria me ultrapassar, primeiro dando uma senhora “rabeada” para a esquerda e depois para a direita, "aprumando-se" e firmando o rumo novamente, logo em seguida.

O impressionante foi que, enquanto a traseira se desgarrava, a frente sequer oscilou, mantendo a trajetória perfeitamente.

Coisas de Spyder!

Um bom tempo depois de cessar a chuva, num outro trecho reto, longo e visualmente favorável à aceleração, lá fui eu, acelerar o Spyder RS um pouco mais, para testar a estabilidade em alta velocidade e comprovar o comportamento mais uma vez exemplar. Ele realmente “gruda” no chão!

Durante toda a viagem, a injeção eletrônica de combustível multiponto (EFI) comportou-se muito bem e mostrou-se eficiente, mesmo quando fui obrigado a abastecer em postos com bandeiras duvidosas, nas retomadas de velocidade em baixas rotações, nas reacelerações nas saídas de curva, nas acelerações mais vigorosas para ultrapassagens, nas acelerações com carga total – próximo aos 500 kg, nas altas temperaturas dos litorais do RJ e do ES e nas reduzidas bruscas de velocidade, sem engasgos ou falhas.

Nas reduzidas de marcha, o conforto é total, pois ao desacelerar o Spyder, quando o conta giros chega á aproximadamente 2.500 giros, as marchas veem “descendo” sozinhas, suavemente, mas se a frenagem for brusca, as reduzidas de marchas também são bem rápidas, porém, sem trancos.

Contudo, numa situação de ultrapassagem, por exemplo, basta acionar a borboleta para trás e “descer” quantas marchas forem necessárias e acelerar, efetuando a manobra com total segurança.

O Spyder RS já vem de fábrica com freio de estacionamento, acionado por um pedal logo atrás da pedaleira esquerda, equipamento necessário para estacioná-lo, pois mesmo ligado e engatado em 1ª marcha ou na marcha à ré, o Spyder fica “solto” e só se movimenta se o acelerador for acionado. Quando desligado, mesmo engatado, também fica “solto”, por isso a necessidade do freio de estacionamento.

Com capacidade para 25 litros no tanque de gasolina, rodei em média 250, 260 e 270 quilômetros com tanque cheio, porém, antes das contas, vale ressaltar que, com a luz espia de reserva acesa já há muitos quilômetros e com os dois últimos pontos do marcador digital já não aparecendo mais no display, nunca coube mais do que 21 ou 22 litros de gasolina no tanque, indicando que ainda havia uns três ou quatro litros na reserva, porém, por questões de segurança, achei por bem não rodar até secar o tanque, para ter a certeza de quantos quilômetros ainda restavam de autonomia.

Nas contas que fiz nessa viagem especificamente, após 3.100 quilômetros rodados, os consumos variaram entre 12 e 17 quilômetros por litro, o que se assemelha a uma motocicleta de média ou grande cilindrada.

O painel de instrumentos da unidade que testei (RS), possui velocímetro e tacômetro (RPM) analógicos bem completos, com 6 luzes espia de cada lado, que informam problemas ou condições diversas, já que o Spyder possui vários componentes e sistemas eletrônicos.

Além dos mostradores analógicos, há um grande display digital ao centro do painel, com informações completas e bem abrangentes, com várias configurações possíveis, ao gosto do piloto, além da possibilidade de mudança no idioma. Entre as informações, são mostradas pequenas mensagens descrevendo problemas ou condições adversas, relógio, hodômetro total e outros dois parciais, cronômetro do tempo de viagem, cronômetro de funcionamento do motor, temperatura ambiente, tacômetro (RPM), marcadores de temperatura, de nível de combustível e de marcha engatada, indicador de velocidade e etc.

Todas as informações disponíveis são de fácil visualização, seja durante o dia, à noite ou sob chuva, bastando ambientar-se e acostumar-se com elas.

Na parte superior da carcaça do painel, existem dois botões – MODE e SET, que servem para alterar as informações no display digital do painel. O botão MODE ainda acumula a função de ajudar no procedimento inicial da partida.

Antes de dar a partida, é necessário aguardar a checagem automática dos ponteiros e de todas as luzes espia nos mostradores analógicos, sistemas elétricos e eletrônicos e as informações de problemas ou condições adversas no display central do painel, que acontece em segundos.

A distribuição dos comandos também é bem feita e praticamente iguais aos de uma motocicleta, porém, existem alguns botões "sobressalentes", como o da marcha à ré, do acendimento forçado dos faróis, do MODE e a borboleta de mudança das marchas.

A posição de pilotagem, com tendência esportiva, mostra-se bem confortável após os primeiros quilômetros rodados, ajudada pelo banco inteiriço, com uma correta densidade na espuma. Em vários dias, rodei muitas horas seguidas, de “reserva à reserva", parando somente para abastecer e pude comprovar que quase não se cansa ao pilotar o Spyder RS.

Ponto para ele!

No modelo Spyder RS, o para brisa é bem baixo, mais estético do que funcional, permitindo que o vento incida totalmente no peito e na cabeça do piloto, incomodando ás vezes, dependendo da velocidade imprimida ou se está atravessando uma região onde venta muito, por exemplo, porém, estamos falando de uma versão mais despojada do veículo e a gama de acessórios oferecida no mercado é grande, inclusive, um para brisa maior, questão fácil de resolver.

A chave de ignição contém um microchip, pré-programado para ativar a partida do motor. Além disso, no “miolo” de contato, foram incorporadas as funções de abertura do banco - para abastecimento e também a abertura do porta malas dianteiro, além da trava de guidão.

Quando se chega a algum local com o Spyder, invariavelmente o piloto “terá” que responder algumas perguntas e satisfazer algumas curiosidades, até mesmo trafegando em estradas aconteceu comigo, quando um sujeito emparelhou o carro ao meu lado, abaixou o vidro e começou a fazer perguntas, enquanto os filhos, no banco de trás do carro, fotografavam o Spyder, em plena Ponte rio Niterói-RJ!

O abastecimento vira um acontecimento e pedidos para fotografá-lo também são muito frequentes, principalmente longe de São Paulo, onde o Spyder ainda é pouco visto!

Nesta viagem teste e em alguns passeios “caseiros” que fiz com o Spyder RS para as cidades de Valinhos, Guarujá, Araras, Leme, Jundiaí, Campinas, Atibaia e Nazaré Paulista, não foi diferente e escutei todos os tipos de comentários e respondi a várias perguntas, além de satisfazer muitas curiosidades, a cerca da pilotagem, de possuir ou não um Spyder, os prós e contras, essas coisas.

Escutei alguns poucos comentários desfavoráveis, porém, acredito que as pessoas que o criticaram, o fizeram sem conhecimento de causa, pois creio que um contato mais próximo, através de um bom test drive, os faria mudar de ideia, muito embora gosto ou primeira impressão sobre algo seja bem particular de cada um.

A minha conclusão?

Com um jeito diferente de tudo que eu já havia conhecido e pilotado até agora, o Spyder é um “brinquedo” para gente grande, a diversão é garantida pelo construtor, que acertou em cheio na concepção do veículo e propõe uma nova maneira de viajar, de forma robusta, segura, confiável e honesta.

Além disso, embora numa primeira olhada não pareça, o Spyder é um veículo muito ágil! 

Mas atenção!!!

Embora meus relatos informem que o Spyder RS é bem estável, e é mesmo, a frente é bem “arisca” nas mudanças de direção, em qualquer condição. Ela é bem copiosa, atendendo imediatamente qualquer mexida no guidão, por menor que seja, portanto, é preciso pilotá-lo o tempo todo, para evitar sustos. Ao longo da experiência e após dominá-lo bem, esta característica vai sendo absorvida com facilidade pelo piloto, que vai ambientando-se a bordo do Spyder e a condução vai ficando mais tranquila.

Contra esterço nem pensar! Ao pilotar um Spyder, elimine esse termo da sua mente, pois é impossível fazê-lo e absolutamente desnecessário, pois no caso de um “erro” muito grande, o Spyder conta com uma boa tecnologia para ajudar a concertá-lo.

Como nenhum veículo é perfeito, humildemente, gostaria de comentar alguns itens, porém, algumas críticas que farei, podem ser facilmente contornadas e podem mudar, de piloto para piloto:

O acelerador mostrou-se pesado e, durante uma viagem longa, manter a aceleração constante torna-se cansativo;

Com garupa, notei que a suspensão traseira chega ao fim do curso com facilidade, contudo, não fiz regulagem alguma durante o trecho que rodei com carona, portanto, imagino que um ajuste resolveria esse problema facilmente;

Os retrovisores e o curso para as regulagens são um tanto pequenos, imagino que retrovisores maiores já bastariam para corrigir isso;

Quando o Spyder RS está parado no trânsito ou nos pedágios, por exemplo, e a ventoinha de refrigeração do radiador é ligada, um forte calor espalha-se pelo lado esquerdo do veículo, por onde passa também o cano de escapamento, incomodando um pouco;

Como o abastecimento do Spyder RS é feito só após o basculamento do banco, piloto e garupa são obrigados a descer do veículo, o que, muitas vezes, não estava planejado.

É isso, espero que tenham aproveitado e curtido o relato.

Abraço do Picka Pau.