TRAXX SKY 50, 2015

16/10/2014 15:41

TRAXX SKY 50, 2015

As primeiras impressões de um veterano

Por Luis Sucupira*

 

A cinquentinha foi a primeira moto na vida de muitos motociclistas que hoje andam em máquinas de alta performance. Essas motos chegaram ao mercado através de um projeto de Soichiro Honda, fundador da Honda, que com a ajuda de sua mulher desenvolveram a primeira moto Cub que mais tarde transformou-se em um grande sucesso de vendas. Chamava-se Honda Dream e se transformou na moto mais vendida, dessa categoria, em toda a história. Todas as Cub originam-se do mesmo projeto tendo recebido poucas modificações ao longo do tempo.

Revisitando o passado – Eu comecei numa cinquentinha

Peguei a Traxx Sky 50 para revisitar o meu passado (comecei numa ‘cinquentinha’) e conhecer os avanços e melhorias que foram incorporadas no modelo atualmente comercializado. As minhas primeiras impressões sobre a motinha precisariam antes passar por uma preparação. Há muitos anos que piloto motos de maior cilindrada e era preciso se conscientizar que a motorização de uma 50cc não permite ousadia e que seu projeto é para proporcionar uma solução de mobilidade urbana aliada à economia. Assim, andar rápido, acelerar forte não era uma opção, inclusive por questões de segurança.

 

A Sky 50 conta com uma potência máxima de 2.0cv a 8000 rpm e o torque de 0,30 kgf.m a 5.500rpm exige alguns cuidados com ultrapassagem (ação bem complicada para uma cinquentinha) e paciência na saída. Mas para minha surpresa a Traxx Sky 50 possui um motor mais esticado. A sensação é de que o motor possui mais giros, não enche tão rápido permitindo que você pilote com conforto e tenha uma resposta aceitável em baixa rotação. As trocas de marcha são realizadas pelo câmbio semiautomático de engate preciso e suave. Um macete para sair um pouco mais forte é acelerar levemente mantendo o freio traseiro pressionado. Depois solte o freio lentamente. Funciona com o mesmo princípio da embreagem que ela não tem. Não use sempre pois vai desgastar a embreagem precocemente. Outra coisa: Muito cuidado para não acelerar a moto engatada, principalmente se ela estiver no descanso. Como ela não possui um sensor que desliga do motor quando o descanso lateral é armado o risco dela andar e tomar da sua mão é grande e na maioria das vezes é tombo certo.

 

Ponto para o conforto

Um ponto que me chamou a atenção foi o conforto. Mesmo em terrenos irregulares como calçamento e estrada de terra ela tem boa dirigibilidade e transfere menos impactos para o guidão e o piloto passando uma sensação de conforto. A Traxx traz na parte traseira uma regulagem eficiente de retorno da pré-carga de mola. Com uma chave de fenda você movimenta o amortecedor para ser mais duro ou mais mole. E isso tem tudo a ver quando vai transportar garupa. Ela vem de fábrica regulada para andar apenas com piloto. Se você vai transportar garupa é interessante que suba um ponto no ajuste de pré-carga de mola. Com isso a moto fica mais confortável para a garupa e proporciona melhor dirigibilidade ao piloto.

 

Nem parece uma cinquentinha

As rodas de liga-leve e bengalas em preto fosco compõem junto com o grafismo um visual atraente e dão um charme a mais. A moto chama a atenção pelo visual agressivo e pouco se parece com uma cinquentinha pela sua robustez.

 

Bagageiro generoso

O bagageiro - chamado de porta-capacete - é generoso e comporta um capacete sem sobras. Além disso, é ótimo para realizar pequenas missões tipo fazer uma feirinha sem ter que instalar um bagageiro extra. E foi o que eu fiz no fim de semana. Peguei a moto e com a minha esposa na garupa saímos para realizar algumas comprinhas para o almoço de domingo em família. No caminho encontrei alguns amigos. Tudo muito prático e divertido.

 

Freios garantem parada segura

O freio a disco composto de um disco pinçado por um pistão duplo na dianteira é bem dimensionado para um ciclomotor. O freio traseiro é a tambor e possui boa resposta. Atuando em conjunto eles permitem uma parada segura.

 

Tanque cheio com apenas 15 reais

A autonomia da Traxx Sky 50 é um fator que justifica a sua vocação de ser uma boa solução para a mobilidade urbana com economia. Os cinco litros de capacidade do seu tanque permitem uma autonomia de pouco mais de 200 km a um custo de 15 reais para cada tanque. É um custo muito baixo para se locomover nas grandes cidades. Se você rodar por mês uns 800 quilômetros vai precisar de 4 tanques e de oitenta reais. Numa conta simples, se você usar ônibus, vai gastar por mês oitenta e oito reais e aqui não está computado tempo perdido em paradas e terminais.

 

Quem pensa que por ser uma cinquentinha ela fica sempre para trás está enganado. No caótico trânsito de Fortaleza, Ceará, a velocidade média dos carros em hora de trânsito normal não passa de 30 km/h e no horário do rush a coisa é ainda pior e é aqui que a cinquentinha leva grande vantagem. Ela não fica presa no trânsito e a uma velocidade média de 40 km/h ela vai chegar antes. Realizei um teste prático para confirmar a minha teoria. Pedi a um amigo que levasse a moto do centro de Fortaleza para o Eusébio, um trajeto de 34 km passando por todo tipo de trânsito no horário onde o tráfego começava a complicar e o resultado confirmou minha teoria. Mesmo com uma baixa potência a Sky 50 chegou ao destino com 15 minutos de vantagem. Enquanto eu, num Renault Passion 207, levei 45 minutos no trajeto de apenas 34 km a cinquentinha precisou de apenas meia hora para completar o trajeto. Faz diferença.

 

Motor valente

Essa cub vem com um motor arrefecido a ar, de quatro tempos e com propulsor OHC (Over Head Camshaft). O ciclomotor conta com uma potência máxima de 2.0cv a 8000 rpm e o torque de 0,30 kgf.m a 5.500rpm. Em baixas rotações a resposta do motor é aceitável mesmo sendo uma cinquentinha. E mesmo sendo uma cinquentinha, vencer a maioria das ladeiras não se torna um grave problema pra ela. O câmbio é rotativo e semiautomático, não utiliza embreagem o que facilita a troca de marchas.

A Traxx Sky 50 possui um amplo porta-capacete e painel completo com mostrador de marcha digital, hodômetro, marcador de combustível, indicadores de luz alta e neutro. Ela vem equipada com partida elétrica e a pedal, descanso central e lateral e dois anos de garantia de fábrica sem limite de quilometragem. Aqui um diferencial da marca em relação as suas concorrentes que oferecem no máximo um ano. Há modelos que não passam dos seis meses de garantia. A Traxx oferece dois anos de garantia total de fábrica a  quase todos seus modelos, inclusive as cinquentinhas: Star 50, Moby 50 e a nossa personagem Sky 50, sem limite de quilometragem, desde que as normas do manual sejam atendidas. Com isso a Traxx mostra que confia na qualidade dos produtos que produz e não mede esforços para que essa opinião seja compartilhada por seus clientes.

Um ponto a melhorar na Sky 50 é a iluminação do indicador de marcha que poderia ter uma luz mais forte. No sol forte ele desaparece e você fica sem enxergar em que marcha está. O indicador é importante, pois uma troca errada de marcha em um ciclomotor com apenas 2 cv vai matar a velocidade e isso pode te dar alguns sustos.

 

Com fábrica na Zona Franca de Manaus há 7 anos e há dez anos presente no Brasil, a Traxx faz parte de um dos dez maiores grupos chineses – o CSIG – China South Industries Group. Além disso, a Traxx tem um DNA aventureiro que já protagonizou feitos dignos das grandes marcas mundiais. Uma Traxx 110 saiu do Rio de Janeiro e foi ao Alasca. Outra Traxx, dessa vez uma Fly 135 foi a primeira moto a rodar na Antártida. 

 

Uma boa solução para missões urbanas

A moto é leve e sua finalidade é para uso urbano em pequenas missões destinadas a se safar do caos do trânsito das grandes cidades. Viajar nela exige muita paciência (além de não ser permitido pelo Código Brasileiro de Trânsito), pois não foi feita para vencer estradas apesar de muitos usuários realizarem verdadeiras odisseias em cima de uma cinquentinha. Seguindo o conceito de ‘moto para uma coisa e outra moto para outra coisa’ a Traxx SKY 50 me conquistou pela economia, leveza, conforto, praticidade e um visual moderno. É um ciclomotor e como todo ciclomotor sua grande vantagem não é a potência, mas a versatilidade, mobilidade e a economia.

*Luis Sucupira é jornalista e publicitário, um apaixonado por motos, recentemente lançou o livro Motos – Guia para Motociclista Principiante. Um handbook com a história da motocicleta, “causos”, informações técnicas, dicas de mecânica e segurança, o mundo além das duas rodas. Um material praticamente obrigatório tanto para o motociclista iniciante, quanto para o que “sabe tudo”. 

 

 Sobre a Traxx 

A Moto Traxx da Amazônia faz parte do China South Industries Group (CSIG), um dos maiores fabricantes mundiais de motocicletas e uma das maiores multinacionais do planeta. A Traxx aportou no Brasil em 2000. Inicialmente, investiu em pesquisas e análises de mercado, a fim de desenvolver estratégias para atender o público brasileiro. Em novembro de 2006, instala-se na sede administrativa, em Fortaleza, capital do estado do Ceará. No dia 31 de dezembro de 2007, inaugura fábrica com espaço total de 53.000 m², duas linhas de produção e capacidade para a produção de 100 mil motos por ano.