Yamaha XT 660R ou XT 660Z?

01/12/2011 11:34

 

(29-11-11) – Assim que a XT 660Z Ténéré foi lançada, em setembro, o Brasil passou a abrigar toda a família aventureira da Yamaha — XTZ 250 Ténéré, XT 660Z Ténéré e a XT 1200Z Super Ténéré. Com isso, umas das motos mais tradicionais do line-up da marca dos diapasões, a XT 660R, ganhou uma concorrente dentro de casa, ocasionando uma “briga” em família.


Claro que a XT 660R, a “Xtezona”, como é normalmente chamada, continua requisitada pelos seus fãs. Até outubro deste ano, foram vendidas 1.595 unidades. Mas agora o interessado em uma Trail de média cilindrada vê na sua irmã Ténéré 660 uma concorrente de peso.



Enfim, desde o lançamento da 660Z muitas pessoas perguntam se a 660R será descontinuada. Ou mesmo, indagam sobre quais as diferenças relevantes entre uma e outra. 

 



A dúvida parece dominar a maioria e é por isso que decidimos colocá-las frente a frente, a fim de elucidar minuciosamente o que as versões R e a Z podem oferecer aos consumidores. E aproveitamos para esclarecer outra incerteza: os dois modelos continuarão a ser vendidos, segundo a Yamaha.

Monocilíndrico compartilhado

Esteticamente, as diferenças são grandes. Porém na parte mecânica as duas versões se assemelham. O mesmo propulsor monocilíndrico equipa as duas motocicletas. Sendo assim, o desempenho é praticamente o mesmo: motor de 660 cm³ de capacidade, comando simples no cabeçote (OHC), quatro válvulas e refrigeração líquida capaz de produzir uma potência de 48 cv a 6.000 rpm e um torque máximo de 5,95 kgf.m a 5.500 rpm.

 



Todavia, na prática, a XT 660R privilegia as arrancadas em semáforos e aquele “soco” no estômago quando se gira o acelerador com vontade, caracterizando uma tocada mais urbana. Já a Ténéré 660Z tem uma aceleração mais linear e melhor distribuída em todas as faixas do motor, garantindo saídas menos bruscas. Entretanto, a relação de marchas e a relação final são exatamente iguais em ambos os modelos. Segundo os engenheiros da marcas, a diferença de tocada sentida na prática se explica por uma caixa de ar maior na Ténéré e um consequente mapeamento de motor diferente entre elas, alterando, na teoria, a curva de torque e potência. 


Outra disparidade dentro do mesmo propulsor se dá na velocidade final de ambas as versões. Embora seja igual, o piloto não conseguirá manter 170 km/h na XT 600R (e nem deve), pois a aerodinâmica não permitirá. Diferente da XT 660Z Ténéré, projetada para encarar longas viagens e que oferece uma boa proteção aerodinâmica com seu parabrisa. 


Outra semelhança, mas que acaba mostrando a diferença entre a proposta de ambos os modelos, está no consumo. Tanto a XT 660R como a Ténéré rodam em média 20km/litro. Mas a Ténéré tem um tanque de 23 litros e teria uma autonomia para mais de 450 km, enquanto o reservatório da XT 660R tem capacidade para apenas 15 litros e menor autonomia. 

Ergonomia

Talvez as maiores diferenças entre R e Z sejam na ergonomia. Reforçando a fama de ser uma motocicleta que transpõe qualquer obstáculo, a 660Z Ténéré tem uma carenagem frontal condizente ao rótulo de aventureira. O ar “corre” pela moto e não atrapalha o condutor, que viaja a 150 km/h sem problema nenhum.


O grande trunfo da recém lançada Ténéré é o dinamismo, seja na estrada ou na cidade. Conhecemos bem o projeto da XT 660R e a relação dele com o trânsito urbano. Se não fossem os milhares de ladrões de olho nesta moto, poderíamos afirmar que se trata de uma das melhores motos para vencer o caos urbano.


No entanto, sua irmã Z também vai bem na cidade e sua ergonomia permite ao piloto trafegar entres os dois mundos — cidade e estrada — com mais autoridade que a bordo da XT 660R. Salientando que a versão R mantém a soberania na cidade, se esse for seu itinerário diário.

Ciclística

Separar a ciclística da ergonomia é fundamental neste comparativo. Se na ergonomia as diferenças são gritantes, quando analisamos a ciclística as semelhanças são muitas. Mesmo conjunto de suspensões, freios quase iguais, pneus e rodas com as mesmas medidas.

Na dianteira a Yamaha equipou as duas motos com o tradicional garfo telescópico, sendo 210 mm de curso para a versão Z e 225 mm par a R. Surpresa? Parece que o mítico nome Ténéré não nasceu na versão 660 cm³ tão própria para a terra, mas isso veremos mais a frente. Ainda na suspensão, as mesmas soluções para a traseira: balança com suspensão monoamortecida e 200 mm de curso. 

 


Já nos freios uma grande diferença. Enquanto que a XT 660Z utiliza dois discos de 298 mm na dianteira, a XT 660R disponibiliza somente um. As duas motos contam com um disco simples de 245 mm mordendo a roda de trás. Na prática, o disco duplo dianteiro da versão Z faz muita diferença, dando mais confiança ao piloto — a Yamaha bem que podia oferecer o sistema de ABS como opcional, assim como faz na Europa. Os pneus e rodas têm as mesmas medidas: dianteiro 90/90-21 e traseiro 130/80-17.

On/off-road

Quem está lendo o texto até aqui deve estar se perguntando como estas motos se saem na terra. E é aqui que entra um ponto crucial. Lá no começo analisamos estrada e cidade, com ampla vantagem no trânsito urbano para a versão R e domínio nas viagens de fim de semana para a série Z.


Essa conclusão pode ludibriar o leitor deste comparativo. As qualidades que fazem da XT 660Z uma ótima companheira na estrada, não a credenciam da mesma forma no fora de estrada. Mais pesada — a versão Z (206 kg) tem 25 quilos a mais que a R (181 kg) — a Ténéré 660 é mais difícil de ser controlada na terra.

Já a XT 660R parece estar em seu habitat natural e desliza pelo terreno irregular com muita propriedade. É fato que as pedaleiras mais largas na versão Z contribuem para a pilotagem em pé e ela consegue sim trafegar por este piso. Mas mesmo assim a 660R ganhou neste quesito.

Conclusão

Sem dúvida nenhuma as duas motos são projetos acertados e que vieram pra ficar — no caso da 660Z, porque a 660R já provou isso. Agora, se sua intenção é pegar a companheira e viajar sempre e para longe, sem dúvida a XT 660Z Ténéré vai garantir mais conforto, assim como à sua garupa.

 


Mas se você é aquele motociclista urbano, que em alguns finais de semana gista de ir até a praia, ou mesmo enfrentar um off-road com seus amigos no interior, com certeza a XT 660R atenderá melhor aos seus anseios.

No entanto, para definir entre uma ou outra o preço é fundamental. A nova XT 660Z tem preço sugerido de R$ 30.500, enquanto que a XT 660R custa R$ 25.800. Se a diferença é grande, cabe a você analisar qual será a utilização que fará da moto. 

Custo de manutenção de ambas as motocicletas 

Reunimos uma lista com o preço de peças que normalmente são trocadas periodicamentes e outras que podem ter de ser trocados no caso de alguma queda. Confira! 

 

XT 660Z Ténéré

XT 660R

KIT PASTILHA DE FREIO (DIANT)

R$ 283,58

R$126,00

KIT PASTILHA DE FREIO (TRAS)

R$ 224,27

R$ 224,27

ALAVANCA DIREITA (manete de freio)

R$ 48,75

R$ 44,11

ALAVANCA ESQUERDA (manete de embreagem)

R$ 116,24

R$ 43,67

PISCA DIANTEIRO CONJUNTO

R$ 88,08

R$ 132,58

PISCA TRASEIRO CONJUNTO

R$ 109,32

R$ 135,74

PARABRISA

R$ 281,09

R$ 307,52

PARA-LAMA DIANTEIRO AZUL

R$ 340,67

R$ 177,94

CORRENTE DE TRANSMISSÃO

R$ 492,19

R$ 479,85

COROA DA RODA TRASEIRA

R$ 219,39

R$ 219,39

ENGRENAGEM MOTORA

R$ 244,99

R$ 244,99

 

 

Fonte: Web motors