EXTREMO SUL DO CHILE

De Punta Arenas a Puerto Natales contornando o Cabo Froward, Rumo ao extremo sul do continente chileno, uma rota diferenciada.

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Um dos sonhos de todo motociclista  é um dia fazer uma expedição pela Patagônia e Terra do Fogo chegando ao Ushuaia. Esta viagem está ao alcance de todos que tenham este propósito, sem distinção do estilo de motocicleta

Para que seja algo mais proveitoso uma big trail pode trazer mais emoções, permitindo que o percurso possa proporcionar explorar lugares pouco visitados. Deve-se levar em conta que a maioria dos estilos de motocicletas ficam limitados às estradas convencionais e de rípio. 

 A minha opção por uma motocicleta big trail, é para atender esta minha vontade de passar por lugares praticamente desconhecidos, tendo toda a segurança e conforto necessários e, com esta motocicleta é que posso por aqui reportar uma das experiências mais incríveis que já vivenciei com estes meus anos de motociclismo.
A viagem...
A cidade mais austral do mundo, o Ushuaia, nesta viagem não era o meu objetivo desta expedição. Queria conhecer alguns lugares que uns amigos motociclistas do México já tinham relatado, saindo de Punta Arenas rumo ao sul, contornando o Cabo Froward até chegar à cidade Puerto Natales. 

Um dos aspectos que mais me fascinava, era que para seguir esta rota teria que contar com uma boa dose de sorte. Primeiramente em razão das condições climáticas, por margear o Seno Otaway, pois qualquer chuva por um longo período já seria o suficiente para inviabilizar os acessos em razão dos fortíssimos ventos naquela região. Mas sorte não me faltou, estava ao meu lado.


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Tinha combinado com Marcelo, meu companheiro de viagem, que faríamos a tentativa de fazer esta rota e o máximo que poderia ocorrer, seria retornarmos para Punta Arenas e seguir pela estrada convencional.

 Desde a nossa descida para o Ushuaia, mesmo por trechos desertos na Ruta 40, o combustível não nos preocupava face a programação de abastecimento por onde iríamos passar. Seriam aproximadamente 450 km sem abastecer e embora a autonomia da GS Adventure para esta distância não ficasse comprometida, me preocupava o fato de que alguns fatores como ventos e dificuldade no piso pudessem alterar o consumo de forma significativa e termos que retomar a direção para a estrada convencional, a I-9, que liga Punta Arenas a Puerto Natales, mas não precisou, deu tudo certo.

Tínhamos chegado a Punta Arenas pelo Transbordador Crux Australis, onde deixamos a Terra do Fogo pelo oeste, embarcando em Porvenir.

Ao sul de Punta Arenas começaria a rota por estradas, rípios e off road

 


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Saímos por volta das 9 da manhã, as motocicletas já abastecidas, seguimos pela I-9 até Bulnes. Lá encontramos o Fuerte Bulnes, todo construído em madeira em homenagem ao presidente da República Manuel Bulnes que enviara uma expedição no início de 1841 para colocar sob jurisdição Chilena os territórios e as águas da zona do Estreito de Magalhães. 

 
   

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O forte nos lembra aqueles de brinquedo quando éramos criança, onde os cowboys e os apaches não se entendiam...

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Depois das sessões de fotos no Fuerte Bulnes seguimos pelo rípio em direção ao sul. A estrada começava a dar sinais que mais a frente estava por vir um território não muito visitado. Já eram raríssimas as marcas de pneus no piso e o caminho ficava cada vez mais irregular, mas com um visual encantador. Tudo estava ao nosso favor, o vento não dava sinais de vida e o sol permanecia forte. Inesquecível observar o verde das algas se misturando ao azul turquesa das águas do sul do Estreito de Magalhães.

 

 

Seguindo para o Sul, podia-se observar o Canal Magdalena e ao fundo a Ilha Dawson.

Chegamos ao Cabo Froward no final da Y-622. Estávamos no extremo sul, já na região antártica
continental, também conhecida como Península de Brunswick.
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Não podíamos ficar ali por muito tempo, tínhamos que aproveitar que as boas condições gerais meteorológicas e começar a contornar a Y-622 a fim de tomarmos o rumo a noroeste (NW) para chegarmos a Puerto Natales.

O rípio já tinha uma característica diferente do solo argentino e dos demais que pegamos, era mais assentado, como de fosse ‘batido por alguma máquina’, mas a própria composição do terreno que favorecia. A estrada se afunilava na medida em que andávamos. Estávamos na rota certa, na tela do GPS o Vilarejo de Rio Canelo já aparecia a uma distância aproximada de 15 km. Ao chegar em Rio Canelo, apenas encontramos alguns barcos abandonados nas margens do Seno de Otaway. 

O cenário era deslumbrante, onde a tranqüilidade do vento nos permitia ver refletir nas águas do Seno Otaway os picos da Cordilheira Riesco. 

Seguimos pela I-Y460, estrada que só consta no mapa, pois este trecho pode-se considerar um verdadeiro off Road cheio de emoção, onde as motocicletas mostraram a sua familiarização com um pouco de adrenalina. Chegamos no Vilarejo Rio Verde. 

Atente-se que neste trecho, a uns 50 metros logo após a ponte sobre o Rio verde, tem uma entrada para oeste, a esquerda. Não entre na mesma, pois não tem acesso para as margens do Seno Skyring. Siga mais uns 15 km, precisamente nas coordenadas 52.33.819 S – 71.32.780 W, terá uma pequena ponte, na qual você poderá seguir para oeste, e depois de andar uns 15 km chegar em Puerto Altamirano. 


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 Após Puerto Altamirano a estrada de rípio apresentou um piso muito irregular, mas com condições para pilotagem, seguindo rumo noroeste (NW) a cerca de uns 30 km chegará ao Lago Aníbal Pinto a sua esquerda, que fica a oeste do vilarejo de Rubens e mais uns 2 km o Lago Balmaceda a sua direita. Me deparei com uma estrada com piso de terra batida misturado ao rípio, onde seguindo para norte, chegará ao Golfo Almirante Montt que forma a encantadora baía de Puerto Natales. 


Já em Puerto Natales, fui para o Hotel Costa Australis, onde fiquei hospedado por 4 dias para conhecer a região, incluindo Torres Del Paine, Laguna Condor, Puerto Prata e outros a lugares que ainda não estavam em nossos planos.

Todos podem fazer este mesmo percurso, desde que a motocicleta seja uma com duplo propósito (dual purpose), que tenha uma boa autonomia de combustível, e principalmente contar com a meteorologia, onde no mínimo deve ter sol consecutivo por uns alguns dias, face à condições dos pisos em determinados trechos nesta rota.

O que mais quero dar ênfase, é que descobrir rotas alternativas, mesmo entre lugares já conhecidos, é algo que além de toda a integração com a emoção do motociclismo aventura, nos depara com cenários que são eternizados em nossa lembrança, e cada vez mais, nos despertam a vontade de buscar novas fronteiras. 



"Sempre haverá novas fontreiras, quando não limitarmos os nossos sonhos" 

Por: Eduardo Wermelinger


Fotografias do Seno Otoway e do Canal de Froward. O contraste do mar agitado no oceano na parte oeste e o retrato da paz, logo após as montanhas, onde a tranquilidade é contagiante. A natureza nestas fotos traduz os seus extremos e beleza.